quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

São Cláudio de La Colombiere - 15.02.2026

    





São Cláudio de La Colombiere - imagem da intrnet


São Cláudio de La Colombière
Memória de um coração oferecido

Cláudio nasceu na França no século XVII, em terra marcada por contrastes entre grandeza cultural e inquietação espiritual. Desde cedo revelou inclinação ao recolhimento, como se escutasse um chamado que não vinha do ruído do mundo, mas de uma profundidade anterior a toda palavra. Seu espírito buscava a inteireza, e essa busca o conduziu à Companhia de Jesus, onde aprendeu a disciplinar o pensamento, ordenar os afetos e oferecer cada ação como serviço silencioso ao Altíssimo.

Na vida religiosa, não procurou feitos exteriores nem reconhecimento. Preferiu a fidelidade discreta. Para ele, a santidade não era êxtase passageiro, mas constância diária. Cada gesto, por menor que fosse, tornava-se ato consciente diante de Deus. Assim, sua existência assumiu forma de liturgia contínua, onde ensinar, aconselhar e confessar eram modos de participar da obra divina.

Enviado como pregador e diretor espiritual, sua palavra possuía clareza e firmeza. Não nascia de argumentos brilhantes, mas de um coração pacificado. Falava como quem contempla, não como quem disputa. Muitos se aproximavam dele porque percebiam uma estabilidade interior rara, uma serenidade que não oscilava com as circunstâncias. Era como uma rocha em meio às marés do tempo.

Sua missão encontrou expressão singular quando acompanhou espiritualmente Santa Margarida Maria Alacoque. Reconheceu na experiência do Coração de Cristo não apenas devoção afetiva, mas revelação do amor absoluto que sustenta o universo. Viu nesse Coração aberto o centro invisível onde toda dor é acolhida e toda vida encontra repouso. Por isso dedicou-se a difundir essa confiança profunda, ensinando as almas a se entregarem sem reservas à misericórdia divina.

Também conheceu provações. Calúnias, enfermidades e exílios testaram sua fidelidade. Contudo, não endureceu nem se revoltou. Recebia as adversidades como ocasião de purificação, como se cada sofrimento retirasse excessos e deixasse apenas o essencial. Sua fortaleza não vinha da resistência tensa, mas de um abandono lúcido nas mãos de Deus.

Nos últimos anos, debilitado fisicamente, tornou-se ainda mais transparente. A fraqueza do corpo revelava a força do espírito. Sua presença já não dependia de palavras longas. Bastava o silêncio para comunicar paz. Parecia viver ancorado em uma dimensão que não se consumia com os dias, como se habitasse continuamente diante do Eterno.

Assim partiu deste mundo, jovem ainda em idade, mas amadurecido em profundidade. Sua memória permanece como convite à fidelidade interior, à confiança sem cálculo e à oferenda total do coração. Nele contemplamos a dignidade de uma vida unificada, onde pensamento, desejo e ação convergem para Deus. Sua história recorda que a santidade não é fuga, mas permanência consciente na presença que sustenta todas as coisas.

Oração a São Cláudio

São Cláudio, guia o nosso coração.
Ensina-nos o silêncio e a confiança.
Firma-nos no amor divino constante.
Conduz-nos à paz eterna.

Reflexão sobr a oração

A oração breve recorda que a alma não necessita de muitas palavras, mas de direção segura. Ao invocar o santo, aprendemos a simplicidade do recolhimento e a constância do amor fiel. Seu exemplo nos chama a viver cada instante como entrega serena, permitindo que o coração se torne morada de Deus.

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Santos Cirilo e Metódio - santo do dia - 14.02.2026

    





Santos Cirilo e Metódio - imagem da internet


Santos Cirilo e Metódio
Arautos do Verbo que une os povos no silêncio do eterno

Na trama discreta da história sagrada, dois irmãos surgem como lâmpadas acesas para guiar consciências ao encontro da Luz que não se apaga. Nascidos na cultura grega e formados na sabedoria das letras e da contemplação, Cirilo e Metódio aprenderam desde cedo que a palavra humana pode tornar-se morada do Mistério quando é purificada pela oração. Neles, o estudo não era acúmulo de saber, mas serviço ao sentido mais alto do ser.

Cirilo, de inteligência penetrante, buscava a harmonia entre pensamento e fé. Metódio, de ânimo firme e paterno, trazia no coração a arte de conduzir almas. Um aprofundava o silêncio interior, o outro sustentava a ordem do caminho. Como dois rios que nascem da mesma fonte, seguiam juntos, convergindo para uma única missão.

Chamados a anunciar o Evangelho aos povos eslavos, compreenderam que a Boa-Nova não pode permanecer estrangeira ao coração humano. Por isso, traduziram as Escrituras e a liturgia, moldando um alfabeto que permitisse ao som da Palavra habitar cada povo como canto próprio. Não impuseram formas externas, mas abriram espaço para que o Verbo eterno ressoasse na língua de cada alma. Assim, a fala cotidiana foi elevada à dignidade de oração.

Entre perseguições, incompreensões e fadigas, conservaram serenidade. Sabiam que a obra verdadeira não depende do êxito imediato, mas da fidelidade ao chamado interior. Cada provação tornava-se exercício de constância, cada obstáculo, ocasião de purificação. Permaneciam firmes porque o centro de suas vidas não estava nas mudanças do mundo, mas na presença imutável que sustenta todas as coisas.

Seu apostolado foi mais que ensino. Foi transfiguração do tempo em oferenda. Onde celebravam os mistérios, o instante adquiria profundidade, e o povo experimentava a proximidade do Céu. A liturgia tornava-se encontro real entre o visível e o invisível. O pão repartido, a palavra proclamada e o canto elevado revelavam que a existência humana pode participar da eternidade já agora.

Por isso a Igreja os recorda como pontes vivas. Uniram culturas sem dissolver identidades, conduziram mentes à verdade sem violência, ensinaram que a dignidade da pessoa floresce quando enraizada no bem. Como mestres e pastores, mostraram que a família é a primeira escola da fé, lugar onde a Palavra é transmitida como herança luminosa.

Cirilo e Metódio permanecem, assim, como sinais de interioridade fecunda. Sua memória convida cada fiel a acolher o Verbo no íntimo, a transformar o trabalho cotidiano em louvor e a caminhar com firmeza, sustentado por uma esperança que não se esgota. Suas vidas testemunham que todo serviço prestado ao Eterno permanece, ainda que o mundo passe.

Oração a Santos Cirilo e Metódio

Guiai-nos, santos irmãos, em nosso caminho.
Semeai vossa luz no íntimo do coração.
Fazei do verbo alimento vivo.
Conduzi-nos, confiantes, ao Alto eterno.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recolhe o coração disperso e o orienta para a fonte silenciosa de onde brota toda clareza. Ao invocar os santos, recordamos que a palavra pode tornar-se alimento e direção. Assim, o espírito aprende a permanecer estável, e cada gesto cotidiano transforma-se em louvor contínuo.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

São Martiniano - santo do dia - 13.02.2026

    





São Martiniano - imagem da internet


São Martiniano

O guardião do silêncio e da constância

São Martiniano floresceu nos primeiros séculos do cristianismo nas terras próximas a Cesareia da Palestina. Ainda jovem, retirou-se para uma colina árida, desejando que o coração aprendesse a escutar somente a voz do Alto. Não buscava feitos exteriores nem reconhecimento humano. Procurava apenas permanecer inteiro diante de Deus, deixando que o tempo comum se dissolvesse na atenção contínua ao Eterno.

Habitou longos anos na solidão. O deserto tornou-se sua escola. O vento ensinava a desapegar-se, a pedra ensinava firmeza, o céu aberto ensinava amplitude interior. Ali a oração não era palavra repetida, mas respiração constante. Cada instante era acolhido como dom nascente. Assim, sua vida deixava de ser sucessão de dias e tornava-se presença ininterrupta.

Conta-se que foi provado por tentações e enganos, pois o coração humano amadurece quando atravessa o fogo. Diante de cada perturbação, Martiniano não reagia com dureza, mas recolhia-se ainda mais ao centro do espírito. Aprendeu que a verdadeira vitória não consiste em dominar o exterior, mas em ordenar a si mesmo. A serenidade tornou-se sua fortaleza.

Mais tarde retirou-se para uma pequena ilha rochosa. O mar cercava-o como muralha viva. Ali viveu com extrema simplicidade, alimentando-se do necessário e entregando as horas à contemplação. A vastidão das águas lembrava-lhe a infinitude do Criador. O ritmo das marés ensinava que tudo passa e retorna à origem. Seu coração permanecia imóvel no que não muda.

Alguns peregrinos o procuravam em busca de conselho. Ele falava pouco. Suas palavras eram claras, medidas, necessárias. Ensinava que a dignidade do ser humano nasce da fidelidade interior e que a casa familiar deve ser guardada como primeiro altar, lugar onde se aprende o cuidado, a paciência e a perseverança. Sua orientação não impunha pesos. Convidava ao recolhimento e à coerência entre pensamento e ação.

Ao fim de sua jornada terrestre, Martiniano já vivia como quem habita a luz. Sua memória permanece como testemunho de constância. Mostra que o coração humano pode tornar-se espaço aberto para Deus quando abandona o excesso e escolhe a simplicidade. Nele vemos que a existência, quando centrada no Alto, torna-se inteira, pacífica e fecunda.

Oração a São Martiniano

Guia o meu coração, firme e íntegro.
Ensina-me o silêncio interior.
Conserva, ó Senhor, a minha vigilância.
Recebe, Senhor, o meu louvor.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recorda que o essencial não precisa de muitas palavras. O espírito aprende a permanecer atento, como sentinela tranquila. Quando o coração se aquieta, surge clareza para agir com retidão. A invocação simples reúne pensamento, desejo e gesto num só movimento. Assim a vida cotidiana torna-se caminho de luz constante.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Santa Eulália - santo do dia - 12.02.2026

    





Santa Eulália - imagem da internet


Santa Eulália
Virgem da firmeza interior

Santa Eulália surgiu na aurora de uma época marcada por perseguições, quando o nome de Cristo era sussurrado nas casas e guardado no íntimo como chama escondida. Ainda jovem, quase criança aos olhos do mundo, trazia, porém, uma maturidade rara, como se sua consciência estivesse ancorada numa dimensão mais alta que os acontecimentos externos. Seu coração não se deixava conduzir pelo medo, pois já havia aprendido a repousar na presença constante de Deus.

Nascida em Mérida, na Hispânia, cresceu numa família cristã que cultivava a oração como respiração da alma. Desde cedo buscava o silêncio, recolhendo-se para contemplar o Mistério que sustenta todas as coisas. Enquanto outros se distraíam com promessas passageiras, ela se inclinava para o invisível, percebendo que a verdadeira solidez não está no poder nem nas honras, mas na comunhão com o Eterno.

Quando a perseguição se intensificou, Eulália não se escondeu. Movida por ardor sereno, apresentou-se espontaneamente diante das autoridades. Não por rebeldia, mas por coerência interior. Seu gesto brotava de uma unidade profunda entre pensamento, palavra e vida. Negar o Senhor significaria romper a própria integridade do ser. Para ela, permanecer fiel era simplesmente permanecer verdadeira.

Os tormentos impostos ao seu corpo revelaram ainda mais a grandeza de sua alma. A dor não a desfigurou, antes purificou sua entrega. Cada sofrimento tornou-se oferenda silenciosa. Não reagia com ódio, mas com uma paz que desconcertava os algozes. Era como se estivesse já situada além do alcance da violência, sustentada por uma realidade que não se dissolve com o tempo.

Seu martírio não foi derrota, mas passagem luminosa. A tradição recorda sinais de claridade no momento de sua morte, como se o céu acolhesse aquela vida consumada na confiança. A jovem que nada possuía tornou-se testemunho duradouro de firmeza, mostrando que a verdadeira grandeza não depende dos anos vividos, mas da profundidade com que se habita o instante.

Para a vida litúrgica, Santa Eulália recorda que a santidade nasce da fidelidade cotidiana. Ensina que a alma recolhida encontra força para atravessar qualquer prova. Sua memória convida cada família a cultivar a oração, cada coração a preservar a pureza de intenção, cada pessoa a permanecer íntegra diante do Bem. Assim, o hoje se abre para a plenitude que não passa, e a existência adquire sentido eterno.

Oração a Santa Eulália

Santa Eulália pura,
guia o nosso coração,
firma-nos na verdade constante
e conduz-nos à luz eterna.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recolhe o espírito e simplifica os desejos.
Palavras pequenas guardam profundidade imensa.
Invocar a santa é recordar a firmeza que nasce do silêncio.
O coração aprende a permanecer estável diante das provas.
A luz pedida não vem de fora, brota do íntimo.
Cada verso torna-se passo rumo à inteireza.
Assim a alma respira paz.
E caminha sustentada pela presença que nunca se afasta.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Nossa Senhora de Lourdes - santo do dia - 11.02.2026

    





Nossa Senhora de Lourdes - imagem da internet


Nossa Senhora de Lourdes
A presença materna que conduz ao interior da luz

Nas dobras silenciosas da história, quando o coração humano se dispersa entre ruídos e urgências, a Providência faz surgir sinais discretos que reconduzem a alma ao essencial. Assim se manifesta Nossa Senhora de Lourdes, não como espetáculo que impressiona os sentidos, mas como presença que recolhe o espírito ao centro onde Deus fala com suavidade.

No ano de 1858, na pequena localidade de Lourdes, entre montanhas e águas escondidas, a Virgem apareceu à jovem Bernadette Soubirous. A simplicidade do lugar e da mensageira revela a pedagogia divina. O Alto escolhe o que é pequeno para que a luz não se confunda com o brilho do mundo. Bernadette, pobre de recursos e rica de pureza interior, torna-se espaço disponível para a manifestação do mistério.

A Senhora apresenta-se com doçura e silêncio. Não impõe, não exige aplausos, não busca convencer pela força. Convida à oração, à penitência e à conversão do coração. Seu chamado não se dirige às estruturas externas, mas ao interior de cada pessoa. É ali que o destino humano se decide. A gruta torna-se símbolo do espaço íntimo onde a alma se encontra com Deus, longe da dispersão.

A água que brota da rocha, indicada pela Virgem, é mais que sinal de cura corporal. Ela evoca a fonte escondida que jorra no mais profundo do ser. Quem se aproxima com fé experimenta não apenas alívio das dores, mas renovação da consciência. A água recorda o batismo contínuo da existência, a purificação que devolve à criatura sua transparência original.

Maria, em Lourdes, manifesta-se como Mãe que conduz ao Filho. Sua presença não retém, mas orienta. Ela ensina a permanecer diante do Eterno, a habitar o instante com confiança, a aceitar o sofrimento como passagem que pode ser transfigurada. Sua maternidade é escola de firmeza serena. Ensina a suportar o peso dos dias sem perder a paz interior.

Ao longo dos anos, multidões peregrinam ao santuário. Alguns buscam cura, outros consolo, outros sentido. Contudo, o dom maior não é o milagre visível. É a recondução do coração à ordem do espírito. Diante da gruta, muitos descobrem que a verdadeira restauração começa quando a alma se aquieta e se entrega à vontade divina. O que se cura primeiro é o olhar.

Nossa Senhora de Lourdes recorda à Igreja que a vida espiritual nasce da simplicidade, do silêncio e da confiança. Ela mostra que a dignidade humana floresce quando o interior se abre à graça. Seu testemunho permanece atual porque toca o que não passa. É convite permanente a regressar ao essencial, a viver cada momento como encontro com Deus.

Assim, a Mãe Imaculada permanece como estrela discreta que guia na noite, fonte pura que refresca o caminho, mão suave que sustenta o peregrino. Quem acolhe sua presença aprende a caminhar com recolhimento, firmeza e esperança, transformando a própria existência em oração contínua.

Oração a Nossa Senhora de Lourdes

Mãe de luz,
guia o meu coração no silêncio.
Purifica os meus passos no caminho,
e conduz-me sempre ao teu Filho.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recolhe o espírito ao essencial e desfaz dispersões
Palavras simples tornam-se morada de silêncio
Ao invocar a Mãe o coração aprende confiança
A confiança abre espaço para a presença divina
Nesse recolhimento a dor perde aspereza
O caminho cotidiano ganha sentido mais alto
Cada gesto torna-se oferta consciente
E a vida inteira repousa em Deus

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Santa Escolástica - santo do dia - 10.02.2026

    





Santa Escolástica - imagem da internet


Santa Escolástica
A presença recolhida que se torna morada do Eterno

Santa Escolástica surgiu na história como uma figura de quietude luminosa. Irmã de sangue de Bento, partilhou com ele não apenas a origem familiar, mas uma mesma inclinação do espírito para o Absoluto. Desde cedo, sua vida não se orientou pelo ruído das obras exteriores, mas pela escuta interior, como quem percebe que a verdade mais alta fala em silêncio.

Enquanto muitos buscam grandeza na multiplicação de feitos, Escolástica encontrou plenitude na permanência. Seu caminho foi o recolhimento constante, a simplicidade do coração indiviso, a fidelidade ao invisível. A oração não era para ela um momento isolado do dia, mas o próprio tecido da existência. Respirava como quem reza, e rezava como quem habita a própria origem.

Ao fundar a comunidade das virgens consagradas, não construiu apenas um espaço material. Ergueu um santuário interior, onde cada gesto cotidiano se tornava oferta. O trabalho, o descanso e o silêncio participavam de uma mesma harmonia. Nada era fragmentado. Tudo convergia para a presença divina que sustenta cada instante.

A tradição recorda seu encontro anual com Bento. Não era simples diálogo fraterno, mas comunhão de almas voltadas para o Alto. Quando, em certa ocasião, o irmão desejou partir segundo a regra do mosteiro, Escolástica permaneceu em oração. A tempestade que se seguiu não foi sinal de oposição, mas imagem de uma confiança absoluta. Aquele coração, unido à vontade divina, já não pedia para si, apenas consentia que o amor prevalecesse sobre o cálculo.

Nela aprendemos que a verdadeira força nasce da docilidade interior. Não da imposição, mas da adesão lúcida ao bem. Sua autoridade espiritual brotava do silêncio fecundo, como água subterrânea que alimenta raízes ocultas. Assim, sua vida tornou-se fecunda sem alarde, estável sem rigidez, ardente sem inquietação.

Escolástica ensina que a alma pode viver numa dimensão mais profunda do que a simples sucessão dos dias. Quando o coração repousa em Deus, o instante se dilata, torna-se pleno, como se todo o sentido estivesse contido ali. A existência deixa de ser dispersão e passa a ser permanência. A oração transforma-se em estado contínuo de atenção amorosa.

Por isso, sua memória permanece como convite. Não a multiplicar palavras, mas a unificar o ser. Não a buscar sinais extraordinários, mas a santificar o cotidiano. Cada casa pode tornar-se claustro, cada tarefa pode tornar-se cântico, cada silêncio pode tornar-se encontro.

Santa Escolástica permanece como oliveira junto à Casa do Senhor, enraizada na fidelidade, oferecendo frutos de paz a todos que desejam aprender a arte de permanecer diante do Mistério.

Oração a Santa Escolástica 

Santa Escolástica, guia-nos com mansidão.
Ensina-nos um silêncio fiel e luminoso.
Guarda nosso coração atento e íntegro.
Permanece conosco, agora e sempre.

Reflexão sobre a oração

A oração não acrescenta algo exterior à vida.
Ela revela o que já sustenta tudo por dentro.
Quando o espírito se aquieta, o ser se integra.
O que era disperso encontra unidade.
O instante se torna morada.
A vontade se alinha ao bem.
O coração adquire firmeza serena.
E a existência inteira transforma-se em louvor contínuo.

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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Santa Apolônia - 09.02.2026

    





Santa Apolônia - imagem da internet


Santa Apolônia
Testemunha da firmeza interior e do fogo que purifica

Apolônia floresceu na antiga Alexandria quando a fé cristã ainda caminhava entre sombras e provações. Era reconhecida não por feitos externos grandiosos, mas por uma presença recolhida, semelhante a lâmpada que arde sem ruído. Já avançada em idade, guardava no coração uma clareza serena, fruto de longa maturação espiritual. Sua vida assemelhava-se a um santuário discreto, onde cada gesto cotidiano era oferecido como culto silencioso.

Não buscava destaque. Servia com constância, instruía com doçura, consolava com paciência. Sua autoridade nascia do exemplo. Havia nela uma coerência profunda entre o que cria e o que vivia. Essa unidade interior tornava-a refúgio para muitos, pois quem se aproximava sentia a firmeza de uma alma enraizada no Alto.

Quando a perseguição se levantou contra os cristãos, a cidade tornou-se instável como mar revolto. Apolônia foi capturada e arrastada pelas ruas. Quebraram-lhe os dentes, sinal cruel da tentativa de destruir sua voz e sua dignidade. Contudo, mesmo ferida, permaneceu recolhida em si mesma, como quem habita um lugar que o sofrimento não alcança. O corpo padecia, mas o espírito mantinha-se íntegro.

Diante da fogueira, exigiram-lhe a negação da fé. A ameaça pretendia submeter sua vontade pelo medo. Porém, nela já não havia divisão. Sua decisão brotava de uma fonte mais profunda que o instinto de autopreservação. Para Apolônia, viver separado do Princípio seria perder o próprio sentido de existir. Assim, escolheu entregar-se ao fogo.

Esse gesto não foi fuga, mas oferenda. O fogo exterior tornou-se imagem de uma chama interior mais intensa, que há muito consumia toda hesitação. A morte não a surpreendeu como ruptura, mas como passagem para a plenitude que sempre buscara. Seu testemunho revela que a verdadeira vitória não consiste em escapar da dor, mas em permanecer fiel ao centro do ser.

Por isso a tradição a recorda como padroeira dos que sofrem dores nos dentes. A memória espiritual, porém, vai além do símbolo físico. Ela ensina que a palavra que nasce da verdade não pode ser arrancada. Mesmo quando a boca se cala, a vida inteira fala.

Na liturgia, sua figura convida à perseverança. Ensina que cada instante pode tornar-se encontro com o Eterno. Ensina que a pessoa encontra sua dignidade quando se alinha ao bem sem reservas. Ensina que o lar, a comunidade e o trabalho se tornam lugares sagrados quando vividos com retidão e constância.

Apolônia permanece como chama tranquila. Sua história não pertence apenas ao passado. Ela continua a arder no íntimo de todo aquele que, em meio às provações, escolhe permanecer inteiro.

Oração a Santa Apolônia

Santa Apolônia, guia-nos sempre.
Fortalece nossa constância interior.
Purifica a mente e o coração.
Conduz-nos à luz eterna.

Reflexão sobre a oração

A oração recolhe o espírito disperso e o orienta para o essencial
Ao invocar a santa, aprendemos a firmeza que não se quebra
As palavras simples tornam-se gesto de entrega
O coração encontra estabilidade quando se volta ao Alto
A dor perde o domínio diante da confiança perseverante
A vontade amadurece na fidelidade cotidiana
O instante orante abre-se à plenitude
Assim a vida inteira transforma-se em caminho de luz duradoura

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