domingo, 15 de fevereiro de 2026

Bem-aventurado Fra Angélico - santo do dia - 18.02.2026

    





Bem-aventurado Fra Angélico - imagem da internet


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Bem Aventurado Fra Angélico
O Pintor da Luz Contemplada

Guido di Pietro, conhecido como Fra Angélico, nasceu por volta do final do século XIV, na região de Vicchio, próximo a Florença. Desde cedo revelou inclinação para a arte, mas sua vocação não amadureceu apenas na técnica. Ao ingressar na Ordem dos Pregadores, assumindo a vida dominicana, sua pintura deixou de ser simples representação e tornou-se expressão de contemplação.

No convento de San Marco, em Florença, sua obra alcançou maturidade espiritual. Cada afresco foi concebido como serviço silencioso aos irmãos que percorriam os corredores em oração. Ele não pintava para exibição, mas para conduzir o olhar além das formas. Suas cores suaves e suas figuras envoltas em serenidade revelam uma percepção do mistério que habita o instante e o abre ao eterno.

A Anunciação, tema recorrente em sua obra, manifesta a harmonia entre o divino e o humano. O anjo inclina-se com reverência, Maria acolhe em silêncio. Não há dramaticidade excessiva, mas recolhimento. Nesse equilíbrio, Fra Angélico expressa a verdade de que o céu toca a terra na humildade do coração disponível. A luz que envolve as cenas não é mero recurso pictórico, mas sinal de uma realidade invisível que sustenta todas as coisas.

Ordenado sacerdote, manteve vida austera e fiel à oração. Era conhecido por sua pureza de intenção e por jamais iniciar uma pintura sem antes recolher-se em súplica. Sua arte nascia da liturgia interior. Por isso suas imagens comunicam paz e ordem, como se cada linha obedecesse a uma proporção inscrita na própria criação.

Chamado a Roma para trabalhar a serviço da Igreja, levou consigo a mesma atitude contemplativa. Mesmo diante de tarefas grandiosas, permaneceu simples. Sua grandeza não estava na fama, mas na coerência entre vida e obra. Beatificado séculos depois, tornou-se exemplo de que o belo pode ser caminho de elevação da alma.

Fra Angélico testemunha que a verdadeira arte nasce da união entre contemplação e ação. Ele recorda que o homem, ao ordenar o olhar e purificar a intenção, pode tornar-se instrumento de uma luz que não se apaga. Sua vida revela que cada gesto, quando oferecido a Deus, participa de uma realidade que ultrapassa a sucessão dos dias e permanece viva no agora da graça.

Oração a Fra Angélico

Fra Angélico, fiel servidor do Senhor,
ensina-nos a cultivar a pureza interior.
Conduze-nos à luz divina que ilumina o espírito
e forma em nós um coração verdadeiramente contemplativo.

Reflexão sobre a oração

A oração dirigida ao bem aventurado recorda que o belo é caminho de purificação.
A pureza interior não nasce do esforço isolado, mas da abertura confiante ao alto.
Contemplar é aprender a ver além das aparências.
A luz divina não se impõe, mas se deixa acolher.
O coração formado na oração adquire serenidade.
A arte da vida exige intenção reta e perseverança.
O instante vivido com Deus ganha densidade eterna.
Assim a existência torna-se expressão harmoniosa da presença que sustenta tudo.

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Os Sete Fundadores dos Servos de Nossa Senhora - santo do dia - 17.02.2026

    





Os Sete Fundadores dos Servos de Nossa Senhora - imagem da internet


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Os Sete Fundadores dos Servos de Nossa Senhora
Chamados à unidade no silêncio do Eterno

No coração de Florença do século XIII, sete homens de profunda sensibilidade espiritual ouviram um chamado que ultrapassava as inquietações de seu tempo. Eram leigos de vida próspera, unidos por amizade sincera e por um desejo comum de buscar a Deus com inteireza. Seus nomes foram Bonfílio, Bonagiunta, Manetto, Amadio, Uguccione, Sostegno e Alessio.

Movidos por uma inspiração interior, deixaram honras e seguranças para abraçar uma vida de penitência, oração e fraternidade. Não fugiam do mundo por desprezo, mas respondiam a uma Voz que os conduzia ao centro do ser. Retiraram-se para o Monte Senário, onde o silêncio da montanha se tornou escola de escuta e purificação do coração.

Ali aprenderam que a verdadeira grandeza não consiste em possuir, mas em oferecer-se. A contemplação da Virgem Dolorosa moldou sua espiritualidade. Ao meditarem os sofrimentos de Maria unidos ao mistério de Cristo, compreenderam que o amor fiel atravessa toda dor e permanece firme. Sua consagração não foi apenas gesto devocional, mas entrega total da própria existência ao desígnio divino.

A vida comum tornou-se expressão visível de uma unidade interior. Cada irmão era sustentado pelo outro, e juntos buscavam refletir a harmonia do Alto. Dessa experiência nasceu a Ordem dos Servos de Nossa Senhora, fundada não sobre estratégias humanas, mas sobre a docilidade à graça que age continuamente.

Foram reconhecidos pela Igreja como santos não por feitos extraordinários aos olhos do mundo, mas pela perseverança no recolhimento, pela pureza de intenção e pela caridade silenciosa. Sua história revela que a santidade floresce quando o coração se fixa no que não passa. Eles viveram atentos à ação divina que não se limita à sucessão dos dias, mas sustenta cada instante com presença constante.

A memória dos Sete Fundadores recorda que toda vocação nasce de um chamado interior e se realiza na fidelidade cotidiana. A montanha onde habitaram simboliza a elevação da alma que busca o Alto. Sua herança espiritual permanece como convite à unidade, à perseverança e à confiança na condução divina.

Oração aos Santos Fundadores dos Servos de Nossa Senhora

Santos irmãos do silêncio,
guiai o nosso coração para que permaneça fiel.
Ensinai-nos a viver uma entrega pura e sincera.
Conduzi-nos ao Amor eterno que tudo sustenta.

Reflexão sobre a oração

A oração nos recorda que a santidade nasce do recolhimento sincero.
O exemplo dos Fundadores mostra que a unidade fortalece o espírito.
A entrega cotidiana purifica a intenção e amadurece o caráter.
O silêncio torna-se espaço de escuta interior.
O coração fiel aprende a confiar além das circunstâncias.
A comunhão fraterna reflete a harmonia do Alto.
A perseverança molda a alma segundo o Bem.
Assim o ser humano encontra estabilidade na Presença que o sustenta.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

São Onésimo - 16.02.2026

    





São Onésimo - imagem da internet


São Onésimo
Servo reconciliado e testemunha da interioridade restaurada

Onésimo surge nas páginas da Bíblia Sagrada como figura discreta e, ao mesmo tempo, luminosa. Seu nome, que significa útil, revela um destino transformado pela graça. Conhecemo-lo sobretudo na Epístola a Filemom, escrita por Paulo de Tarso, onde a história de um homem marcado pela fuga converte-se em caminho de retorno, reconciliação e dignidade interior.

Onésimo era servo na casa de Filemom. Em algum momento, rompeu os vínculos e partiu, talvez movido pelo medo ou pela inquietação de um coração ainda sem eixo. Sua fuga simboliza a condição de toda alma que, afastando-se da origem, perde-se nas margens do mundo. Contudo, mesmo na distância, a Providência o conduziu ao encontro do apóstolo prisioneiro. O cárcere, lugar de limitação exterior, tornou-se espaço de nascimento espiritual.

Ali, na aparente obscuridade, ele encontrou a luz do Evangelho. Não por sinais grandiosos, mas pelo testemunho silencioso de uma vida unida ao Cristo. A conversão de Onésimo não foi apenas mudança de comportamento, mas reordenação do ser. O passado não foi negado, mas atravessado. O instante tornou-se profundo, tocando a fonte eterna que sustenta todas as coisas. Ele já não se definia pela fuga, mas pela comunhão.

Paulo o chama filho gerado nas cadeias. Esse título revela uma filiação que não depende de sangue, mas de espírito. Onésimo passa de servo a irmão, de objeto a presença consciente, de instrumento a participante do Mistério. A antiga condição exterior perde seu peso diante da realidade interior restaurada. Surge nele uma maturidade serena, firmeza que nasce da confiança no Deus que habita o íntimo.

Seu retorno a Filemom não é simples volta geográfica. É travessia do coração. Ele regressa não coagido, mas transformado, capaz de permanecer íntegro onde antes havia ruptura. A reconciliação torna-se testemunho de que a verdadeira grandeza do ser humano não está no domínio, mas na capacidade de amar, perdoar e recomeçar. Assim, a casa doméstica converte-se em santuário, e o convívio cotidiano torna-se lugar de santificação.

A tradição o reconhece depois como discípulo fiel e pastor solícito, alguém que conduzia outros não por imposição, mas por presença pacífica. Sua vida ensina que o caminho do alto não se manifesta em ruído, mas em constância. Ele aprendeu a viver cada momento como resposta ao chamado divino, permanecendo recolhido no centro onde o Eterno sustém o agora.

Onésimo torna-se, portanto, ícone do ser reconciliado. Recorda-nos que ninguém está definitivamente preso ao passado. Todo instante pode ser nascimento. Toda queda pode tornar-se início. Quando o coração se abre ao Cristo, o que era perda converte-se em plenitude silenciosa, e a existência inteira transforma-se em liturgia viva.

Oração a São Onésimo

Guia o meu retorno ao interior mais profundo.
Torna o meu coração firme e estável.
Ensina-me a viver em fidelidade silenciosa.
Conduz-me sempre à tua luz eterna.

Reflexão sobre a oração

A breve prece recolhe o espírito e recorda o essencial. Pedir retorno interior é aceitar a travessia que Onésimo viveu. A estabilidade do coração sustenta cada decisão. A fidelidade silenciosa molda o caráter no cotidiano. A luz eterna orienta sem ruído. Assim a oração torna-se caminho de transformação contínua e comunhão duradoura com Deus.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

São Cláudio de La Colombiere - 15.02.2026

    





São Cláudio de La Colombiere - imagem da intrnet


São Cláudio de La Colombière
Memória de um coração oferecido

Cláudio nasceu na França no século XVII, em terra marcada por contrastes entre grandeza cultural e inquietação espiritual. Desde cedo revelou inclinação ao recolhimento, como se escutasse um chamado que não vinha do ruído do mundo, mas de uma profundidade anterior a toda palavra. Seu espírito buscava a inteireza, e essa busca o conduziu à Companhia de Jesus, onde aprendeu a disciplinar o pensamento, ordenar os afetos e oferecer cada ação como serviço silencioso ao Altíssimo.

Na vida religiosa, não procurou feitos exteriores nem reconhecimento. Preferiu a fidelidade discreta. Para ele, a santidade não era êxtase passageiro, mas constância diária. Cada gesto, por menor que fosse, tornava-se ato consciente diante de Deus. Assim, sua existência assumiu forma de liturgia contínua, onde ensinar, aconselhar e confessar eram modos de participar da obra divina.

Enviado como pregador e diretor espiritual, sua palavra possuía clareza e firmeza. Não nascia de argumentos brilhantes, mas de um coração pacificado. Falava como quem contempla, não como quem disputa. Muitos se aproximavam dele porque percebiam uma estabilidade interior rara, uma serenidade que não oscilava com as circunstâncias. Era como uma rocha em meio às marés do tempo.

Sua missão encontrou expressão singular quando acompanhou espiritualmente Santa Margarida Maria Alacoque. Reconheceu na experiência do Coração de Cristo não apenas devoção afetiva, mas revelação do amor absoluto que sustenta o universo. Viu nesse Coração aberto o centro invisível onde toda dor é acolhida e toda vida encontra repouso. Por isso dedicou-se a difundir essa confiança profunda, ensinando as almas a se entregarem sem reservas à misericórdia divina.

Também conheceu provações. Calúnias, enfermidades e exílios testaram sua fidelidade. Contudo, não endureceu nem se revoltou. Recebia as adversidades como ocasião de purificação, como se cada sofrimento retirasse excessos e deixasse apenas o essencial. Sua fortaleza não vinha da resistência tensa, mas de um abandono lúcido nas mãos de Deus.

Nos últimos anos, debilitado fisicamente, tornou-se ainda mais transparente. A fraqueza do corpo revelava a força do espírito. Sua presença já não dependia de palavras longas. Bastava o silêncio para comunicar paz. Parecia viver ancorado em uma dimensão que não se consumia com os dias, como se habitasse continuamente diante do Eterno.

Assim partiu deste mundo, jovem ainda em idade, mas amadurecido em profundidade. Sua memória permanece como convite à fidelidade interior, à confiança sem cálculo e à oferenda total do coração. Nele contemplamos a dignidade de uma vida unificada, onde pensamento, desejo e ação convergem para Deus. Sua história recorda que a santidade não é fuga, mas permanência consciente na presença que sustenta todas as coisas.

Oração a São Cláudio

São Cláudio, guia o nosso coração.
Ensina-nos o silêncio e a confiança.
Firma-nos no amor divino constante.
Conduz-nos à paz eterna.

Reflexão sobr a oração

A oração breve recorda que a alma não necessita de muitas palavras, mas de direção segura. Ao invocar o santo, aprendemos a simplicidade do recolhimento e a constância do amor fiel. Seu exemplo nos chama a viver cada instante como entrega serena, permitindo que o coração se torne morada de Deus.

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Santos Cirilo e Metódio - santo do dia - 14.02.2026

    





Santos Cirilo e Metódio - imagem da internet


Santos Cirilo e Metódio
Arautos do Verbo que une os povos no silêncio do eterno

Na trama discreta da história sagrada, dois irmãos surgem como lâmpadas acesas para guiar consciências ao encontro da Luz que não se apaga. Nascidos na cultura grega e formados na sabedoria das letras e da contemplação, Cirilo e Metódio aprenderam desde cedo que a palavra humana pode tornar-se morada do Mistério quando é purificada pela oração. Neles, o estudo não era acúmulo de saber, mas serviço ao sentido mais alto do ser.

Cirilo, de inteligência penetrante, buscava a harmonia entre pensamento e fé. Metódio, de ânimo firme e paterno, trazia no coração a arte de conduzir almas. Um aprofundava o silêncio interior, o outro sustentava a ordem do caminho. Como dois rios que nascem da mesma fonte, seguiam juntos, convergindo para uma única missão.

Chamados a anunciar o Evangelho aos povos eslavos, compreenderam que a Boa-Nova não pode permanecer estrangeira ao coração humano. Por isso, traduziram as Escrituras e a liturgia, moldando um alfabeto que permitisse ao som da Palavra habitar cada povo como canto próprio. Não impuseram formas externas, mas abriram espaço para que o Verbo eterno ressoasse na língua de cada alma. Assim, a fala cotidiana foi elevada à dignidade de oração.

Entre perseguições, incompreensões e fadigas, conservaram serenidade. Sabiam que a obra verdadeira não depende do êxito imediato, mas da fidelidade ao chamado interior. Cada provação tornava-se exercício de constância, cada obstáculo, ocasião de purificação. Permaneciam firmes porque o centro de suas vidas não estava nas mudanças do mundo, mas na presença imutável que sustenta todas as coisas.

Seu apostolado foi mais que ensino. Foi transfiguração do tempo em oferenda. Onde celebravam os mistérios, o instante adquiria profundidade, e o povo experimentava a proximidade do Céu. A liturgia tornava-se encontro real entre o visível e o invisível. O pão repartido, a palavra proclamada e o canto elevado revelavam que a existência humana pode participar da eternidade já agora.

Por isso a Igreja os recorda como pontes vivas. Uniram culturas sem dissolver identidades, conduziram mentes à verdade sem violência, ensinaram que a dignidade da pessoa floresce quando enraizada no bem. Como mestres e pastores, mostraram que a família é a primeira escola da fé, lugar onde a Palavra é transmitida como herança luminosa.

Cirilo e Metódio permanecem, assim, como sinais de interioridade fecunda. Sua memória convida cada fiel a acolher o Verbo no íntimo, a transformar o trabalho cotidiano em louvor e a caminhar com firmeza, sustentado por uma esperança que não se esgota. Suas vidas testemunham que todo serviço prestado ao Eterno permanece, ainda que o mundo passe.

Oração a Santos Cirilo e Metódio

Guiai-nos, santos irmãos, em nosso caminho.
Semeai vossa luz no íntimo do coração.
Fazei do verbo alimento vivo.
Conduzi-nos, confiantes, ao Alto eterno.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recolhe o coração disperso e o orienta para a fonte silenciosa de onde brota toda clareza. Ao invocar os santos, recordamos que a palavra pode tornar-se alimento e direção. Assim, o espírito aprende a permanecer estável, e cada gesto cotidiano transforma-se em louvor contínuo.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

São Martiniano - santo do dia - 13.02.2026

    





São Martiniano - imagem da internet


São Martiniano

O guardião do silêncio e da constância

São Martiniano floresceu nos primeiros séculos do cristianismo nas terras próximas a Cesareia da Palestina. Ainda jovem, retirou-se para uma colina árida, desejando que o coração aprendesse a escutar somente a voz do Alto. Não buscava feitos exteriores nem reconhecimento humano. Procurava apenas permanecer inteiro diante de Deus, deixando que o tempo comum se dissolvesse na atenção contínua ao Eterno.

Habitou longos anos na solidão. O deserto tornou-se sua escola. O vento ensinava a desapegar-se, a pedra ensinava firmeza, o céu aberto ensinava amplitude interior. Ali a oração não era palavra repetida, mas respiração constante. Cada instante era acolhido como dom nascente. Assim, sua vida deixava de ser sucessão de dias e tornava-se presença ininterrupta.

Conta-se que foi provado por tentações e enganos, pois o coração humano amadurece quando atravessa o fogo. Diante de cada perturbação, Martiniano não reagia com dureza, mas recolhia-se ainda mais ao centro do espírito. Aprendeu que a verdadeira vitória não consiste em dominar o exterior, mas em ordenar a si mesmo. A serenidade tornou-se sua fortaleza.

Mais tarde retirou-se para uma pequena ilha rochosa. O mar cercava-o como muralha viva. Ali viveu com extrema simplicidade, alimentando-se do necessário e entregando as horas à contemplação. A vastidão das águas lembrava-lhe a infinitude do Criador. O ritmo das marés ensinava que tudo passa e retorna à origem. Seu coração permanecia imóvel no que não muda.

Alguns peregrinos o procuravam em busca de conselho. Ele falava pouco. Suas palavras eram claras, medidas, necessárias. Ensinava que a dignidade do ser humano nasce da fidelidade interior e que a casa familiar deve ser guardada como primeiro altar, lugar onde se aprende o cuidado, a paciência e a perseverança. Sua orientação não impunha pesos. Convidava ao recolhimento e à coerência entre pensamento e ação.

Ao fim de sua jornada terrestre, Martiniano já vivia como quem habita a luz. Sua memória permanece como testemunho de constância. Mostra que o coração humano pode tornar-se espaço aberto para Deus quando abandona o excesso e escolhe a simplicidade. Nele vemos que a existência, quando centrada no Alto, torna-se inteira, pacífica e fecunda.

Oração a São Martiniano

Guia o meu coração, firme e íntegro.
Ensina-me o silêncio interior.
Conserva, ó Senhor, a minha vigilância.
Recebe, Senhor, o meu louvor.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recorda que o essencial não precisa de muitas palavras. O espírito aprende a permanecer atento, como sentinela tranquila. Quando o coração se aquieta, surge clareza para agir com retidão. A invocação simples reúne pensamento, desejo e gesto num só movimento. Assim a vida cotidiana torna-se caminho de luz constante.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Santa Eulália - santo do dia - 12.02.2026

    





Santa Eulália - imagem da internet


Santa Eulália
Virgem da firmeza interior

Santa Eulália surgiu na aurora de uma época marcada por perseguições, quando o nome de Cristo era sussurrado nas casas e guardado no íntimo como chama escondida. Ainda jovem, quase criança aos olhos do mundo, trazia, porém, uma maturidade rara, como se sua consciência estivesse ancorada numa dimensão mais alta que os acontecimentos externos. Seu coração não se deixava conduzir pelo medo, pois já havia aprendido a repousar na presença constante de Deus.

Nascida em Mérida, na Hispânia, cresceu numa família cristã que cultivava a oração como respiração da alma. Desde cedo buscava o silêncio, recolhendo-se para contemplar o Mistério que sustenta todas as coisas. Enquanto outros se distraíam com promessas passageiras, ela se inclinava para o invisível, percebendo que a verdadeira solidez não está no poder nem nas honras, mas na comunhão com o Eterno.

Quando a perseguição se intensificou, Eulália não se escondeu. Movida por ardor sereno, apresentou-se espontaneamente diante das autoridades. Não por rebeldia, mas por coerência interior. Seu gesto brotava de uma unidade profunda entre pensamento, palavra e vida. Negar o Senhor significaria romper a própria integridade do ser. Para ela, permanecer fiel era simplesmente permanecer verdadeira.

Os tormentos impostos ao seu corpo revelaram ainda mais a grandeza de sua alma. A dor não a desfigurou, antes purificou sua entrega. Cada sofrimento tornou-se oferenda silenciosa. Não reagia com ódio, mas com uma paz que desconcertava os algozes. Era como se estivesse já situada além do alcance da violência, sustentada por uma realidade que não se dissolve com o tempo.

Seu martírio não foi derrota, mas passagem luminosa. A tradição recorda sinais de claridade no momento de sua morte, como se o céu acolhesse aquela vida consumada na confiança. A jovem que nada possuía tornou-se testemunho duradouro de firmeza, mostrando que a verdadeira grandeza não depende dos anos vividos, mas da profundidade com que se habita o instante.

Para a vida litúrgica, Santa Eulália recorda que a santidade nasce da fidelidade cotidiana. Ensina que a alma recolhida encontra força para atravessar qualquer prova. Sua memória convida cada família a cultivar a oração, cada coração a preservar a pureza de intenção, cada pessoa a permanecer íntegra diante do Bem. Assim, o hoje se abre para a plenitude que não passa, e a existência adquire sentido eterno.

Oração a Santa Eulália

Santa Eulália pura,
guia o nosso coração,
firma-nos na verdade constante
e conduz-nos à luz eterna.

Reflexão sobre a oração

A oração breve recolhe o espírito e simplifica os desejos.
Palavras pequenas guardam profundidade imensa.
Invocar a santa é recordar a firmeza que nasce do silêncio.
O coração aprende a permanecer estável diante das provas.
A luz pedida não vem de fora, brota do íntimo.
Cada verso torna-se passo rumo à inteireza.
Assim a alma respira paz.
E caminha sustentada pela presença que nunca se afasta.

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