
Santa Escolástica - imagem da internet
Santa Escolástica
A presença recolhida que se torna morada do Eterno
Santa Escolástica surgiu na história como uma figura de quietude luminosa. Irmã de sangue de Bento, partilhou com ele não apenas a origem familiar, mas uma mesma inclinação do espírito para o Absoluto. Desde cedo, sua vida não se orientou pelo ruído das obras exteriores, mas pela escuta interior, como quem percebe que a verdade mais alta fala em silêncio.
Enquanto muitos buscam grandeza na multiplicação de feitos, Escolástica encontrou plenitude na permanência. Seu caminho foi o recolhimento constante, a simplicidade do coração indiviso, a fidelidade ao invisível. A oração não era para ela um momento isolado do dia, mas o próprio tecido da existência. Respirava como quem reza, e rezava como quem habita a própria origem.
Ao fundar a comunidade das virgens consagradas, não construiu apenas um espaço material. Ergueu um santuário interior, onde cada gesto cotidiano se tornava oferta. O trabalho, o descanso e o silêncio participavam de uma mesma harmonia. Nada era fragmentado. Tudo convergia para a presença divina que sustenta cada instante.
A tradição recorda seu encontro anual com Bento. Não era simples diálogo fraterno, mas comunhão de almas voltadas para o Alto. Quando, em certa ocasião, o irmão desejou partir segundo a regra do mosteiro, Escolástica permaneceu em oração. A tempestade que se seguiu não foi sinal de oposição, mas imagem de uma confiança absoluta. Aquele coração, unido à vontade divina, já não pedia para si, apenas consentia que o amor prevalecesse sobre o cálculo.
Nela aprendemos que a verdadeira força nasce da docilidade interior. Não da imposição, mas da adesão lúcida ao bem. Sua autoridade espiritual brotava do silêncio fecundo, como água subterrânea que alimenta raízes ocultas. Assim, sua vida tornou-se fecunda sem alarde, estável sem rigidez, ardente sem inquietação.
Escolástica ensina que a alma pode viver numa dimensão mais profunda do que a simples sucessão dos dias. Quando o coração repousa em Deus, o instante se dilata, torna-se pleno, como se todo o sentido estivesse contido ali. A existência deixa de ser dispersão e passa a ser permanência. A oração transforma-se em estado contínuo de atenção amorosa.
Por isso, sua memória permanece como convite. Não a multiplicar palavras, mas a unificar o ser. Não a buscar sinais extraordinários, mas a santificar o cotidiano. Cada casa pode tornar-se claustro, cada tarefa pode tornar-se cântico, cada silêncio pode tornar-se encontro.
Santa Escolástica permanece como oliveira junto à Casa do Senhor, enraizada na fidelidade, oferecendo frutos de paz a todos que desejam aprender a arte de permanecer diante do Mistério.
Oração a Santa Escolástica
Santa Escolástica, guia-nos com mansidão.
Ensina-nos um silêncio fiel e luminoso.
Guarda nosso coração atento e íntegro.
Permanece conosco, agora e sempre.
Reflexão sobre a oração
A oração não acrescenta algo exterior à vida.
Ela revela o que já sustenta tudo por dentro.
Quando o espírito se aquieta, o ser se integra.
O que era disperso encontra unidade.
O instante se torna morada.
A vontade se alinha ao bem.
O coração adquire firmeza serena.
E a existência inteira transforma-se em louvor contínuo.
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