quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

16 de Janeiro - São Marcelo I


No início do ano 304 com a morte do Papa Marcelino, a Igreja viveu um longo e confuso período de sua história, recheado de incertezas e de perseguições, que a desorganizou, inclusive internamente. Neste quadro, apareceu a singela figura de Marcelo I, confundido por muitos anos com o próprio Marcelino pois, alguns biógrafos acreditaram que eram a mesma pessoa e outros historiadores afirmaram, que ele havia sido apenas um padre. Vejamos como tudo se esclareceu e a relevância deste Papa e Santo, para a Igreja.

Os anos trezentos, também para o Império Romano não foram nada agradáveis, pois já se delineava a sua queda histórica. O imperador Diocleciano que se mostrava um tirano insensato e insano, também já não governava por si mesmo, era comandado pelo "vice" Gelásio. Foi a mando dele, que Diocleciano decretou a mais feroz, cruel e sangrenta perseguição aos cristãos, estendida para todos dos domínios do Império. E continuou, após a sua morte, sob o patrocínio do novo imperador Maxêncio.

A Cátedra de São Pedro vivia num período de "vicatio", como é chamado o tempo de ausência entre a eleição legítima e a entrada de um novo pontífice. Foi uma época obscura e de solavancos para toda a Igreja, que agonizava com a confusão generalizada provocada pelas heresias e pelos "lapsis", esta figura sombria que surgira em conseqüência das perseguições.

Em 27 de maio de 308, foi eleito o Papa Marcelo I, um presbítero de origem romana, humilde, generoso, de caráter firme e fé inabalável. Ele assumiu a direção da Igreja, após quatro anos da morte do seu predecessor e se ocupou da difícil tarefa de sua reorganização.

O seu pontificado, ao contrário do que se imaginava, ficou muito bem atestado pelas fontes da época. Nestes relatos se constatou o comportamento pós-perseguição que a Igreja teve com os "lapsis" ou "renegados", como eram chamados os cristãos que, por medo, haviam publicamente renunciado a Fé em Cristo.

A esse respeito, existe o registro de um elogio feito ao papa Marcelo I pelo papa Damásio I em 366, com muita justiça. Enquanto muitos bispos do Oriente pediam a excomunhão destes cristãos, especialmente para os que faziam parte do clero, ele se mostrou rigoroso mas menos radical. Severo, decidiu que a Igreja iria acolhê-los, depois de um período de penitência. Também, determinou que nenhum concílio podia ser convocado sem a prévia autorização do papa.

Mas acabou sendo preso por ordem do imperador Maxêncio, que o exilou e obrigou a trabalhar na sua própria igreja, a qual fôra transformada em estábulo. Morreu em conseqüência dos maus tratos recebidos, no dia 16 de janeiro de 309.

A Igreja declarou Marcelo I santo e mártir da fé, para ser festejado nesta data . As suas relíquias estão guardadas na Cripta dos Papas no cemitério de Santa Priscila, em Roma.

Outros santos e beatos:
Santos Bernardo, Pedro, Otão, Acúrsio e Adauto — franciscanos martirizados em 1220, no Marrocos, aonde são Francisco os enviara em missão junto aos muçulmanos. Tal foi a comoção, que um jovem português decidiu fazer-se franciscano para imitar-lhes o exemplo, mas uma tempestade o lançou nas praias da Sicília — este será o futuro santo Antônio de Pádua.
Beato Conrado de Mondsee — abade beneditino na Áustria, martirizado em 1145.
São Dunchadh O’Braoin (†988) — anacoreta, depois abade em Clonmacnois.
São Ferréolo — bispo de Grenoble, martirizado em 670.
São Fulgêncio (†633) — bispo, irmão dos santos Isidoro, Leandro e Florentina de Servilha.
São Furseu (†1648) — abade beneditino, fundou mosteiros na Irlanda, sua pátria, e a seguir na Inglaterra e na França. É citado por são Beda.
Santo Henrique (†1127) — monge e eremita dinamarquês.
Santo Honorato de Arles (350-429) — originário da Lorena, de família romana. Ao converter-se, abraçou a vida monástica; mais tarde, em 426, foi-lhe imposta a consagração episcopal.
Santo Honorato de Fondi (século VI) — abade beneditino, fundou a abadia de Fondi.
Beata Joana de Bagno di Romagna (†1105) — irmã leiga camaldulense em Santa Lúcia, próximo a Bagno.
Santa Liberata (século V) — irmã de santo Epifânio e de santa Honorata de Pavia.
São Melâncio (†305) — bispo de uma pequena cidade localizada entre o Egito e a Palestina. Foi encarcerado e depois exilado, durante as desordens promovidas pelos arianos.
Santa Priscila (século I) — viúva de Acílio Glábrio. Teria hospedado são Pedro em sua própria casa de campo, perto das catacumbas que trazem seu nome.
São Tiago de Tarantasia (†429) — bispo de origem síria, missionário na Savóia e primeiro bispo de Tarantasia.
São Ticiano (†645) — talvez bispo de Oderzo, na região vêneta.
São Trivieiro (†550) — eremita, viveu próximo a Thérouannes; venerado em Lião.
São Valério (†435) — bispo de Sorrento, arrebatado da solidão da ermida.
Fonte Paulinas

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

15 de Janeiro - São Plácido


A vida de Plácido está ligada à do seu primo Mauro, também chamado de Amaro, por várias circunstâncias. Primeiro, porque ambos aos sete anos de idade foram entregues, pelos pais ao amigo Bento de Nórcia, celebrado pela Igreja como o "pai dos monges ocidentais", para serem oblados à Cristo. Depois, porque Amaro o salvou da morte, na infância. Nesta ocasião, Bento, teve uma visão onde Plácido se afogava dentro de um lago, por isto mandou o pequeno Amaro correr para impedir o acidente. De fato, ele o salvou prodigiosamente, andando sobre as águas e o retirando com vida. Porém, após se tornarem sacerdotes, suas vidas se separam, e de maneira distinta cada um testemunhou sua fé em Cristo. Vejamos a trajetória de Plácido.

Plácido nasceu no ano de 514, em Roma. Os pais, nobres e ricos, eram Tertulo e Faustina, e os irmãos se chamavam Eutíquio, Flávia e Vitório. Plácido foi entregue a são Bento, que o tomou como discípulo e lhe dispensou um afeto paterno. O menino cresceu bondoso e assimilou os ensinamentos do Evangelho e o espírito ecumênico da mensagem beneditina. Tornou-se sacerdote e foi enviado para a cidade italiana de Messina, na Sicilia, para construir um mosteiro, do qual foi eleito o abade. Plácido o construiu fora dos muros da cidade. Ao lado do mosteiro ele também construiu uma igreja, dedicada a são João Batista.

Plácido, certa vez, recebeu a visita de seus irmãos, os três saudosos, decidiram ir para Messina, onde ficaram por um longo período, hospedados no mosteiro. Até que em setembro de 541, os árabes sarracenos, invadiram o mosteiro, destruindo tudo e matando os monges que encontravam pela frente. Depois, se voltaram contra os quatro irmãos, que seriam poupados se renegassem o seu Deus. Plácido falou por todos: "jamais trairemos a fé em Cristo e por isto estamos prontos para morrer". Foram arrastados até a praia vizinha e brutamente mortos, tendo as cabeças decepadas. Os corpos foram recolhidos pelos monges sobreviventes e sepultados na igreja semidestruída.

Este mosteiro e a igreja foram destruídos e reconstruídos várias vezes por conta destes bárbaros. Só em 1099, a paz voltou a reinar na Sicília, com a sua expulsão definitiva . O então imperador Rugero, católico, mandou reconstruir tudo. No final da construção do grande edifício, o mosteiro foi elevado à condição de Priorado Geral. Mas o fato sensacional, ocorreu em 1588, quando o superior do mosteiro,vendo que o interior da igreja não tinha ventilação nem luz, mandou abrir três grandes portas. Para isto, tiveram que deslocar o altar maior, e foi aí que encontraram as relíquias dos quatro irmãos. A festa foi grande porque ao retirarem o corpo de são Plácido surgiu de improviso uma fonte de água puríssima, que os devotos atribuíram como milagrosa.

A igreja e o mosteiro foram totalmente destruídos, em 1918, quando ocorreu o maior terremoto de Messina. Mas as relíquias de são Plácido já estavam guardadas pelos beneditinos na Cripita da Capela do mosteiro de Montecassino, onde também estão as de seu primo.

A Igreja, em 1962, determinou que os dois primos sejam festejados no mesmo dia 15 de janeiro. Entretanto, o culto a são Plácido é muito intenso e os devotos o celebram também em 5 de outubro, data que lhe era dedicada anteriormente.

Outros santos e beatos:
São Macário, o Grande eremita (300-390.Contam-se no calendário 14 santos com esse nome.O santo deste dia é assinalado pelo qualificativo “Grande”, ou mais modestamente, pela justaposição do adjetivo “o Velho”, pois é o mais famoso e o primeiro na seqüência cronológica.
Nasceu no alto Egito, em um ambiente muito propício para a vida solitária de um eremita. Desde a mocidade, Macário amou a solidão e, para entregar-se tranquilamente à oração e à meditação, fez construir uma cabana num local afastado.Para ganhar o próprio sustento, ou melhor, para não ficar sem trabalho — visto que o ócio é o pai de todos os vícios — tecia cestas e tapetes, enquanto guardava as ovelhas no campo.
Entretanto, um adolescente tão sério despertava curiosidade nas pessoas, ou quiçá também apetência pela vida devota; por esse motivo, Macário decidiu refugiar-se em pleno deserto. A seguir, continuou os estudos preparatórios para o sacerdócio, a fim de poder celebrar a eucaristia nas inumeráveis colônias monásticas que, atraídas por seu exemplo, cresciam ao redor cada vez mais.
Mas o deserto não constituiu uma muralha segura para defendê-lo dos ataques perpetrados pelos hereges arianos. Por isso, teve de passar a senilidade no exílio, ou seja, longe da comunidade cenobítica por ele fundada.

Santo Efísio(†303.Martirizado na época de Diocleciano. É objeto de muita veneração na Sardenha, particularmente em Cagliari, onde, a cada dia 1o de maio, seu martírio é relembrado com uma solene procissão, denominada “o 1o de maio cagliaritano”.
As Atas de seu martírio configuram um relato assaz imaginoso, redigido pelo padre Mauro, que se declara testemunha ocular das torturas cruéis infligidas ao santo. Embora não fidedigna, essa crônica concorreu para perpetuar o caráter popular da devoção a esse santo, fornecendo matéria para saborosas e pitorescas reconstituições literárias.

Santo Alexandre, o Insone (†430) — abade fundador dos denominados monges insones gregos, pois se revezavam noite e dia para cantar.
São Blatmaco — abade irlandês martirizado em 823 pelos dinamarqueses pagãos, que procurara evangelizar.
São Bonito — bispo beneditino (623-710), foi governador de Provença; renunciou ao episcopado para se tornar monge.
Santo Eugípio (†511) — sacerdote africano, companheiro de missão de são Severino de Nórica.
Beato Francisco Ferdinando Capillas (1606-1648) — dominicano espanhol, missionário na China, onde foi martirizado.
Santo Habacuc — profeta do século VII a.C., durante o período do cativeiro. Na Terra Santa, muitas igrejas foram construídas em sua honra. Trata-se do profeta que dirige muitas perguntas a Deus. Ao ver seu povo oprimido em terra estrangeira, indaga: “Como o podeis punir por mãos de gente ímpia e idólatra?”. Mas, por fim, entrega-se a um ato de fé e de abandono completo a Deus salvador.
santo Isidoro, o Egípcio (404) — sacerdote egípcio. Tomou a defesa de seu bispo, santo Atanásio, contra os arianos, e, por seu turno, precisou defender-se da acusação de heresia, levantada contra ele por são Jerônimo.
São Malard (†650) — bispo de Chartres.
Santas Maura e Brita — virgens martirizadas no século IV; são mencionadas por são Gregório de Tours.
São Máximo de Nola (†251) — bispo de Nola. Foi obrigado a refugiar-se nas montanhas durante a perseguição movida contra ele por Décio; são Félix, sacerdote de sua diocese, recolheu-o já quase morto pela fome.
Santa Mida (também conhecida como Ita ou Meda) — virgem irlandesa muito popular, morta em 750. Sua vida é rica de episódios pitorescos.
São Miquéias — profeta do século VIII a.C.; profetizou o nascimento de Cristo em Belém.
São Paulo de Tebas (230-342) — nobre egípcio, refugiou-se no deserto, onde permaneceu até a morte. De tempos em tempos recebia a visita de santo Antão. Costuma-se representá-lo junto com um pássaro que lhe traz a refeição.
São Públio de Zeugma (†380) — sírio, abade de uma numerosa comunidade.
Fonte Paulinas

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

14 de Janeiro - Pedro Donders


Pedro Donders nasceu em 27 de outubro de 1809, no sul da Holanda . Seus pais, Arnoldo e Petronila, tiveram dois filhos que sobrevieram a mortalidade infantil da época. Pedro, era o mais velho e muito doente; Martino, era o caçula e deficiente.

Pedro tinha seis anos de idade, quando sua mãe morreu e diante dessa circunstância precisou deixar os estudos para ajudar seu pai, já muito idoso, na renda familiar. Depois por causa de sua saúde frágil não foi aceito no serviço militar, mas sua vocação era o sacerdócio.Também devido a sua condição física, escassa capacidade intelectual e pobreza material, não permitiam que seguisse o seu chamado. Entretanto Pedro insistia com seu pároco que o ajudava , até que conseguiu que o recebessem no seminário, mais como empregado do que como noviço.

Pedro se interessava pelas missões e depois de ser rejeitado pelos Jesuítas, Redentoristas e Franciscanos, acabou ingressando no Seminário diocesano. No ano de 1839 o Seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, Guiana Holandesa, buscando ajuda para seu território de missão que estava numa situação muito crítica. Dos seminaristas, apenas Pedro Donders se ofereceu. Em 5 de junho de 1841 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde chegou em Paramaribo, uma região selvagem quatro vezes maior que a Holanda. Era seu campo de missão.

Os primeiros catorze anos foram dedicados à formação dos catequistas, das crianças e às visitas pastorais entre os escravos das fazendas holandesas. Era enorme a distância religiosa e moral, tanto entre os brancos como entre os negros. A rotina de padre Pedro iniciava nas primeiras horas da madrugada quando rezava a Santa Missa e se entregava às orações, depois saia para visitar as famílias.

Em 1856 recebeu o encargo da pastoral dos enfermos, dedicando-se especialmente aos leprosos de Batávia, local oficial para os leprosos, onde existiam mais de quatrocentos enfermos de ambos os sexos e com todos os tipos de lepra. Nesta tarefa, nenhum capelão resistia mais de um ano. Ele ficou quase trinta, sempre à inteira disposição dos miseráveis. Não se contentava somente com palavras piedosas. Fazia de tudo. Principalmente aos pacientes terminais. Suspendia os corpos para dar-lhes de beber e lavava com zelo aquilo que nenhum ser humano gostaria de ver: um corpo humano quase decomposto, mas, vivo!

Em 1865 chegaram os Missionários Redentoristas no Suriname, com a missão de continuar os trabalhos de evangelização. Os quatro holandeses sacerdotes diocesanos poderiam optar em voltar para a Holanda. Dois sacerdotes regressaram. Padre Pedro decidiu ficar e pediu seu ingresso na Congregação do Santíssimo Redentor, professando os votos em 1867.

No final do ano 1886, pela última vez, padre Pedro visitou todos os seus enfermos. Atendeu as confissões de todos e lhes deu a Santa Comunhão. Um ano depois no dia 14 de janeiro de 1887, morreu de uma grave enfermidade renal. Santamente terminou sua vida e apostolado de oração e trabalho contínuo e de muitos sofrimentos.

O Papa João Paulo II proclamou Beato Pedro Donders em 1982, designando o dia de sua morte para as honras litúrgicas.

Outros santos e beatos;
Santo Barbásimas e companheiros — martirizados em 346. Barbásimas, bispo de Selêucia, na Pérsia, juntamente com seus 16 companheiros de cárcere, foi barbaramente torturado. Em seguida, foram todos condenados ao patíbulo.
são Dácio — bispo de Milão, morto em 552. Teve de abandonar a cidade quando esta caiu em poder dos ostrogodos arianos.
São Deusdedit (†664) — anglo-saxão, bispo de Cantuária, em 655.
Santos Isaías, Sabas e companheiros — martirizados em 309. Eram monges que viviam no monte Sinai; foram massacrados pelos árabes pagãos.
São Malaquias, profeta (século V a.C.) — último dentre os 12 profetas menores, continuou os trabalhos de reforma religiosa empreendidos por Esdras e Neemias, depois da reconstrução do templo e do reinício do serviço litúrgico. Ele, de fato, exproba os sacerdotes por oferecerem vítimas impuras a Deus, em sacrifício; condena os matrimônios com os idólatras e os divórcios freqüentes; exorta o povo à observância da lei e anuncia o retorno de Elias.
Santos mártires de Raithu — 43 eremitas, que viviam nas cercanias do mar Vermelho, mortos em 510 por etíopes selvagens.
São Sabas da Sérvia — bispo (1176-1235); filho caçula do rei, fez-se monge no monte Atos. Também seu pai lhe seguiu o exemplo, trocando a coroa pelo hábito monacal. Sabas foi designado arcebispo da Sérvia, desempenhando habilmente suas funções; promoveu a construção de muitas igrejas.
Fonte Paulinas

domingo, 11 de janeiro de 2015

13 de Janeiro - Santo Hilário de Poitiers


Bispo e doutor da Igreja (315-368).Muitas são as analogias entre esse santo batalhador e seu contemporâneo santo Agostinho.
Como este, era filho de família abastada e já pai de uma menina (chamada Abre) quando se converteu ao cristianismo, após um acidentado percurso rumo à fé, que o levou da leitura dos filósofos neoplatônicos à meditação sobre as páginas da Bíblia. Nesta ele encontrou resposta para as perguntas que fazia a si mesmo desde a juventude sobre os fins do homem e a natureza da alma.
Como Agostinho, também foi aclamado bispo pelo povo. Sua ação pastoral teve de voltar-se imediatamente para o campo da ortodoxia, ao combater o crescente avanço da heresia ariana. Nesse embate, contou com a colaboração do jovem Martinho, o futuro bispo de Tours.
Os arianos, que recebiam o apoio do imperador Constâncio, conseguiram que este o condenasse ao exílio. Deportado para a Frígia, Hilário teve a oportunidade de se aprimorar, tomando contato com a grande tradição dos padres orientais. Aprendeu grego, podendo assim se abeberar nas fontes da teologia patrística.
Mas também na Frígia começou a desagradar aos arianos, que o expediram a Poitiers, onde ele escreveu De Trinitate, ou melhor, De fide adversus arianos, tratado que o tornou célebre e lhe valeu o título de doutor da Igreja, outorgado em 1851.
Polemista e arguto teólogo, era ao mesmo tempo bom pastor de almas e compassivo com a ovelha perdida. Consagrou-se também, com efeito, aos bispos e padres que, tendo aderido à heresia, reconheceram os próprios erros e foram reintroduzidos em suas sedes episcopais e paróquias.

Outros santos ou beatos:
Santo Agrício (†333) — bispo de Tréveris. Santa Helena, mãe de Constantino, ter-lhe-ia dado a túnica de Jesus, também conhecida como o Manto Sagrado de Tréveris.
Santo André — bispo de Tréveris, onde foi martirizado em 235.
São Berno (†927) — abade beneditino,*  natural da Borgonha, famoso pelos grandes serviços prestados à Igreja e por sua intensa atividade pastoral e reformadora.
Santo Énogat (†631) — bispo da sede episcopal bretã de Aleth.
Santos Ermilos e Estratônico — martirizados em 315. Foram afogados no Danúbio, nas cercanias de Belgrado, durante o império de Licínio.
Santa Glafira de Amaséia — morta em 324. Pôs-se em fuga para preservar a própria virgindade; foi apanhada e levada de volta à casa do imperador Licínio, de quem era escrava, para ser martirizada. Morreu durante a viagem.
Beato Godofredo de Kappenberg (1097-1127) — jovem conde de Kappenberg, na Vestfália. Ao conhecer São Norberto, despojou-se de seus bens, cedeu o castelo ao santo, que o transformou em abadia, e fez-se monge. Imitaram seu exemplo a esposa, duas filhas e um tio.
Santos Gumercindo e Servídio — espanhóis martirizados em 852, por um califa árabe.
São Leôncio de Cesaréia (†337) — um dos padres do Concílio de Nicéia, chamado “anjo de paz” pelos gregos. Bispo de Cesaréia, recebeu grandes elogios de santo Atanásio.
Santos mártires de Roma — são numerosos os cristãos que foram martirizados em Roma. Aqueles cuja memória é celebrada nesta data são 40 soldados martirizados em 262, na via Labicana.
São Potito — martirizado em Parthenope,**  em época imprecisa.
Beata Verônica de Binasco (1445-1497) — virgem. Ingressou aos 22 anos no convento agostiniano de Milão; viveu 39 anos como religiosa mendicante. Analfabeta, teve o privilégio de ser instruída diretamente pela Virgem, que numa visão lhe indicou o caminho a seguir para alcançar a santidade: pureza de coração, paciência e meditação diária na Paixão de Jesus. Também teve o dom da profecia e disso fez uso para predizer dia e hora da própria morte.
São Vivêncio (século V) — palestinense, acompanhou santo HiIário, quando este voltou a Poitiers; foi seu auxiliar, depois se fez eremita.
Fonte Paulinas

sábado, 10 de janeiro de 2015

12 de Janeiro - São Bento Biscop


Bento pela graça e pelo nome" era este o jogo de palavras que são Gregório Magno usava para definir o amigo e irmão na fé, são Bento de Nórcia. E pela grande força do sentido que expressam, não puderam deixar de ser usadas, também, para louvar são Bento Biscop, no livro escrito por são Beda, Doutor da Igreja , sobre seu mestre e tutor. Ele que foi discípulo de Biscop, desde os sete anos, idade em que foi entregue pelos pais.

Biscop nasceu em 628, na Nortúmbria, Irlanda. Era um nobre e se tornou um soldado de alta patente do exército do rei Oswiu, porém o chamado de Deus falou mais alto. Aos vinte e cinco anos decidiu renunciar aos favores da corte e abandonar a família, para se colocar a serviço do verdadeiro Rei, Jesus Cristo e do Evangelho, para alcançar a vida eterna. No ano de 653, após ter feito esta escolha, fez a primeira das seis viagens a Roma. Era um devoto incondicional dos santos apóstolos Pedro e Paulo e dos papas. Suas viagens tinham a finalidade da peregrinação e também o aprendizado de exemplos e instituições monásticas.

A Santa Sé o designou para ir à Inglaterra, acompanhando o novo bispo de Cantuária, Teodósio. Assim, Biscop acabou sendo o responsável, em grande parte, pela evangelização da Inglaterra. De suas viagens a Roma, trazia consigo diversos livros sobre artes, ciências, e muitos outros de assuntos variados.

Em Lerins, no percurso da segunda viagem a Roma, em 665, permaneceu cerca de dois anos. Era um perfeccionista, não procurava só encontrar modelos de vida como também numerosos livros, documentos iconográficos, relíquias dos santos, parâmetros e outros objetos que favorecessem um culto em perfeita sintonia com a Igreja de Roma.

Na embocadura do rio Vire, fundou um mosteiro, dedicado a são Pedro, em 674, e outro, em honra a são Paulo, alguns anos mais tarde. Para isso, trouxe da França diversos pedreiros, artesãos, artífices, etc., para a construção de igrejas e, desta maneira, introduzir nos mosteiros ingleses os usos e costumes dos mosteiros romanos.

Uma vez chegou a suplicar ao papa Agatão que enviasse o cantor da basílica de são Pedro, o abade João, para que a liturgia e o canto romano fossem assimilados por seus monges reunidos nos dois mosteiros de são Pedro e de são Paulo. Quando voltou da sexta viagem a Roma ficou surpreso com uma epidemia que destruíra grande parte de sua obra.

Sobre o leito de morte pôde dizer com razão: "Meus filhos, não considerem invenção minha a constituição que lhes dei. Depois que visitei dezessete mosteiros, cujas regras e usos, me esforcei por conhecer e selecionar as que me pareceram melhores, dou-lhes o resultado desse trabalho. Este é o meu testamento."

Morreu no dia 12 de janeiro de 690, aos sessenta e dois anos de idade. A sua celebração foi determinada para esta data, durante a cerimônia de sua canonização, pela Igreja, em Roma.
Fonte CNBB

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

11 de Janeiro - São Teodósio


Teodósio, cujo nome significa "um presente de Deus", nasceu na Capadócia, atual Turquia, em 423, de pais ricos, nobres cristãos. Recebeu uma boa e sólida formação desde a infância sendo educado dentro dos preceitos da fé católica. Quando ainda muito jovem, era ele quem fazia as leituras nas assembléias litúrgicas de sua cidade. Um dia, lendo a história de Abraão, identificou-se com ele e descobriu que seu caminho era o mesmo do patriarca, que deixara sua terra para se encaminhar aonde Deus lhe apontava. Teodósio decidiu fazer o mesmo, seguindo inicialmente em peregrinação à Terra Santa, para conhecer os caminhos trilhados por Jesus.

Dotado de dons especiais como da profecia, prodígio, cura e conselho, sentiu a confirmação do seu chamado por Deus, ao se encontrar com Simeão, o estilista, outro Santo que havia optado por viver acorrentado e numa torre alta construída por ele mesmo. Simeão que nunca o tinha visto ou conhecido, o chamou pelo próprio nome e o avisou de que Deus o havia escolhido para converter e salvar muita gente. Teodósio entrou então para um convento próximo à Torre de Davi, onde rapidamente foi escolhido para a provedoria de uma igreja consagrada a Nossa Senhora. Mas sentia que aquela não era a sua obra, preferia a vida solitária da comunidade monástica do deserto, como era usual naquela época.

Depois, seguindo a orientação de São Longuinho, que o aconselhava em sonhos, foi habitar numa caverna, que segundo dizem fora ocupada pelos Reis Magos ao regressarem de Belém. Alí se entregou às duras penitencias e orações, passando a pregar com um senso de humildade que contagiava a todos que por lá passavam. Logo começou a receber discípulos e outros monges formando uma nova comunidade religiosa cenobítica, isto é,
viviam uma vida retirada mas em comunicação servindo a comunidade movidos pelos mesmos interesses, princípios e prerrogativas cristãs.

Numerosos discípulos, de diversas nacionalidades, foram atraídos e reunidos por ele. Edificou três conventos, um para os que falavam grego, outro para os eslavos e o terceiro para os de idiomas orientais como hebreu, árabe e persa. Todos nos arredores de Belém. Construiu também três hospitais, um para anciãos, outro para atender todos os tipos de doenças e o terceiro para os que tinham enfermidades mentais. Aliás uma idéia muito nova para essa época e pouco freqüente no mundo inteiro. Além disso ergueu quatro igrejas.

Sua fama o levou ao posto de arquimandrita da Palestina, isto é, superior geral de todos os monges. Mas sua atuação contra os hereges acabou por condená-lo ao exílio, por confrontar-se com o Imperador Anastácio. Só quando o imperador morreu é que ele pôde voltar à Palestina reconquistando seu posto de liderança entre os monges.

Quando Teodósio morreu, com cento e cinco anos, em 529, seu corpo foi depositado na cova feita por ele mesmo, há muitos anos, naquela gruta onde os Reis Magos dormiram, entre Jerusalém e Belém. Seu enterro foi acompanhado pelo Arcebispo de Jerusalém e muitos cristãos da Cidade Santa assistiram ao seu funeral onde aconteceram
inúmeras graças e prodígios, que ainda sucedem no local de sua sepultura, embora tenha sido profanada e saqueada pelos árabes sarracenos. Seu culto se difundiu rapidamente pelo mundo cristão e se mantém ainda hoje muito forte.

Outros santos e beatos:
Santo Alexandre — bispo de Fermo, martirizado durante o império de Décio.
Santo Anastácio (†570) — abade beneditino em Supertoria, nas proximidades do monte Soratte.
São Boadin — monge beneditino, eremita do século VI.
São Brandão (século V) — abade num mosteiro da Gália, constituído por monges originários da Irlanda.
Santas Etenias e Fidelmia (†433) — virgens irlandesas; foram as primeiras convertidas por obra de São Patrício. Pretende a tradição que tenham morrido nesse mesmo dia, após haverem recebido a comunhão.
Santa Honorata (†500) — irmã de santo Epifânio, bispo de Pavia. Depois que se tornou monja, foi encarcerada por ordem de Odoacro.
São Lêucio (†180) — primeiro bispo de Bríndisi, proveniente de Alexandria do Egito.
São Palâmio (†325) — situa-se entre os primeiros anacoretas egípcios, mestre do célebre são Pacômio.
Santos Paldone, Tason e Taton (século VIII) — três irmãos de Benevento, sucessivamente abades em Farfa, da Sabina, a seguir na abadia de São Vicente de Volturno, por eles fundada.
Santos Pedro, Severo e Lêucio — martirizados em Alexandria, no século III.
São Sálvio — martirizado na África, no século III.
Fonte Paulinas

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

10 de Janeiro - Santo Aldo

Muito interessante a trajetória deste singelo e tradicional santo de nome Aldo. Dele não se encontrou nada escrito no Calendário universal da Igreja, e em nenhum Martirológio local. Apenas os jesuítas belgas, que catalogaram a vida dos santos da Europa do Norte na obra publicada em 1.600, citaram neste dia o nome de santo Aldo, sozinho e solitário.

Sozinho, porque é o único santo com este nome, e solitário, como foi e continua sendo difundido, porque era um devoto ermitão. Ele se tornou monge, do mosteiro fundado pelo irlandês são Columbano, na cidade de Bobbio, vizinha de Pavia, cidade que guarda as suas relíquias. Aldo foi sepultado primeiro na capela de são Columbano e depois transferido para a basílica de são Miguel, daquela cidade, na Itália

Não sabemos a data e o lugar do seu nascimento. Parece que viveu no século VIII, mas foi num destes que a História definiu como "obscuros". Conceito que, no caso de Aldo, se tornou verdadeiro, pois não deixou transparecer nada sobre a sua vida e sua pessoa, deixou apenas uma atmosfera de santidade.

A tradição nos apresenta Aldo como um simples carvoeiro de Carbonária e um ermitão. Um monge de mãos calejadas e rosto enegrecido pela fuligem das carvoarias. Isto parece correto, porque os monges de sua comunidade construíam uma cabana para si, de madeira ou de pedra, onde se retiravam nas horas dedicadas à oração e à contemplação, e onde moravam. Depois saíam para o trabalho diário, onde ganhavam o pão com o suor do rosto.

Não é por acaso que suas relíquias estão em Pávia, cidade que durante um período foi a capital do Reino da Europa do Norte, conhecido como Lombardo. Provavelmente corria nas veias deste santo ermitão o sangue deste povo, senão, pelo menos assim nos faz pensar a origem do seu nome. "Ald" é uma palavra da Europa do Norte que significa "velho", e parente do nosso Aldo "ancião", ou melhor "homem maduro".

Velhice e maturidade são, em geral, garantia de sabedoria, portanto podemos dizer que Aldo mereceu o próprio nome, quando escolheu a sabedoria mais sábia, a da santidade, alcançada através do caminho mais invisível, o da solidão e do silêncio, da quietude interior e exterior, da contemplação e da oração. Ele se afastava temporariamente das pessoas para dar mais espaço à oração e povoar a solidão exterior com a agradável presença de Deus. Não se evadia da comunidade mas contribuía para sua edificação com o exemplo de uma vida santa e uma caridade ativa.

Santo Aldo é considerado um feliz exemplo do espírito beneditino. Um santo silencioso, mas que fala diretamente às almas sem precisar de palavras, com o exemplo de sua vida retirada do mundo e inserida em Deus. Foi canonizado e seu culto é muito vigoroso nos países da Europa do Norte, especialmente na Irlanda. A Igreja o declarou "Padroeiro dos Trabalhadores", e o celebra neste dia, indicado como o da sua morte.

Outros santos e beatos:
Santo Agatão papa (678-681).
Originário de Palermo, monge basiliano ou beneditino. Durante seu pontificado transcorreu o sexto concílio ecumênico (o terceiro de Constantinopla, em 680), o qual pôs fim à heresia monoteísta — última dentre as heresias cristológicas, que só admitia em Cristo uma vontade, a de natureza divina.
O concílio, após haver aclamado a encíclica do papa Agatão, definiu ser a vontade atributo da natureza e haver em Cristo duas naturezas; duas são também as vontades, sempre concordes, pois movidas por um único agente: a Pessoa do Verbo.
“Nós confessamos que há uma vontade (humana) em nosso Senhor”, declara a encíclica papal, lida durante o concílio, “já que não nossa culpa, mas nossa natureza foi assumida pela divindade, ou melhor, nossa natureza tal qual era antes do pecado...”
São Pedro Urséolo doge de Veneza, depois eremita (928-987).
Almirante da frota veneziana, então doge da Sereníssima, governou a cidade como zeloso administrador, numa época cheia de dificuldades. Em seguida, às escondidas, refugiou-se nos Pirineus espanhóis e tomou o hábito monacal, passando a exercer as funções de sacristão, recolhendo-se por fim às montanhas, a fim de viver como eremita.
são Diarmaid (século VI) — abade fundador de um mosteiro na ilha de Innis-Clotran.
santa Ferbuta — martirizada no ano 300, sob o império de Diocleciano.
são Guilherme de Bourges (†1207) — bispo dessa cidade francesa; antes disso, viveu entre os monges de Grandimont e, a seguir, entre os cistercienses de Pontigny.
são João Camilo, o Bom (†660) — bispo de Milão, intrépido defensor da ortodoxia contra a heresia ariana.
São Marciano (†471) — sacerdote de Constantinopla, empreendeu a construção de várias igrejas. Foi injustamente acusado de heresia.
São Nicanor (†76) — um dos sete diáconos escolhidos pelos apóstolos. Supõe-se que tenha sofrido o martírio em Chipre, sob o império de Vespasiano.
Santa Setrida (†660) — abadessa beneditina. Enteada de um rei, preferiu a pobreza do convento às comodidades do palácio real.
São Toiman ou Tommene (†660) — bispo de Armagh.
Fonte Paulinas