domingo, 20 de setembro de 2026

Apóstolo São Mateus - santo do dia - 21.09.2026

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
São Mateus, Apóstolo e Evangelista, Festa, Ano A
25ª Semana do Tempo Comum




Apóstolo São Mateus - imagem da internet


Biografia de Apóstolo São Mateus

Do homem que estava sentado àquele que se levantou para seguir Cristo

  São Mateus, chamado no Novo Testamento pelo nome de Mateus e tradicionalmente identificado com Levi, permanece como uma das figuras mais silenciosas entre os Apóstolos. Sua presença nos Evangelhos não é extensa, mas o episódio de seu chamado contém uma profundidade singular. Ele estava sentado junto ao lugar de cobrança dos impostos quando Jesus passou, olhou para ele e lhe disse que o seguisse. Mateus levantou-se e o seguiu. Nesse gesto breve encontra-se o núcleo de toda a sua existência apostólica, pois uma vida aparentemente estabelecida foi alcançada por uma presença que lhe revelou uma direção nova.

  Não possuímos dados historicamente seguros sobre a data de seu nascimento. Também não foi preservado com certeza o lugar exato onde nasceu. As fontes antigas o apresentam como ligado à Galileia e, particularmente, a Cafarnaum, onde exercia sua atividade como cobrador de impostos. Assim, qualquer tentativa de estabelecer um dia, um ano ou uma cidade precisa de nascimento ultrapassaria aquilo que as fontes permitem afirmar. O silêncio documental, nesse caso, não diminui sua figura, mas recorda que a história de Mateus chegou até nós sobretudo a partir do momento em que sua existência encontrou Cristo.

  Quanto à sua filiação, o Evangelho segundo Marcos apresenta Levi como filho de Alfeu, enquanto o Evangelho segundo Mateus apresenta o homem chamado junto à coletoria simplesmente como Mateus. A tradição cristã identificou essas duas figuras como sendo a mesma pessoa, de modo que Mateus é tradicionalmente conhecido como filho de Alfeu. Entretanto, essa identificação deve ser apresentada como tradição interpretativa, e não como uma informação biográfica explicitamente formulada da mesma maneira nos quatro Evangelhos.

  Seu nome possui uma significação particularmente expressiva. Mateus, relacionado ao hebraico Mattai ou Mattithiah, é tradicionalmente compreendido como nome associado ao dom de Deus. O significado do nome ganha uma ressonância espiritual quando contemplado à luz de sua vocação. Aquele que estava inserido em uma atividade cotidiana passa a reconhecer que sua existência não se esgota naquilo que realiza exteriormente. Há uma profundidade anterior ao ofício, à posição e à reputação, uma interioridade na qual a pessoa pode receber uma palavra que reorienta sua existência.

  Mateus trabalhava como publicano, isto é, como cobrador de impostos. Sua atividade o colocava em uma situação particularmente delicada dentro do ambiente judaico do primeiro século. Os publicanos eram vistos com desconfiança e frequentemente associados aos pecadores nos relatos evangélicos. Nesse contexto, o chamado de Jesus adquire uma força ainda maior. Cristo não se aproxima de Mateus depois que ele tenha apresentado uma vida transformada. O chamado acontece dentro da realidade concreta em que ele se encontra. A transformação começa quando a palavra de Cristo alcança o homem que está ali.

  O Evangelho segundo Mateus apresenta esse momento com uma simplicidade que não permite distrações. Jesus vê o homem sentado na coletoria e lhe diz que o siga. Mateus se levanta e segue Jesus. O movimento exterior é breve, mas interiormente contém uma passagem decisiva. Ele deixa de permanecer voltado apenas para aquilo que já conhece e começa a caminhar segundo uma palavra recebida. A partir daquele instante, sua existência passa a ser compreendida não apenas pelo que havia sido, mas pela direção que encontrou em Cristo.

  O chamado é seguido por uma refeição. Mateus oferece uma refeição em sua casa, e ali muitos publicanos e pecadores se encontram com Jesus e seus discípulos. A cena provoca a reação dos fariseus, que questionam a presença de Cristo entre aquelas pessoas. A resposta de Jesus revela o centro espiritual do episódio. Ele afirma que não são os que estão bem que necessitam de médico, mas os que estão enfermos, e declara que veio chamar os pecadores. A vocação de Mateus, portanto, não aparece como prêmio concedido a uma existência já concluída, mas como ação de uma graça que alcança o ser em sua condição concreta e o conduz à transformação.

  A partir desse encontro, Mateus passa a integrar o grupo dos Doze. Seu nome aparece nas listas apostólicas preservadas nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. A partir daí, sua trajetória está unida à de Jesus durante a vida pública, até a Paixão, e ele pertence ao grupo apostólico que testemunha a Ressurreição e permanece reunido depois da Ascensão. O livro dos Atos o apresenta entre aqueles que perseveravam em oração juntamente com Maria, a Mãe de Jesus, e os demais discípulos.

  Pouco sabemos sobre sua personalidade individual durante esses anos. Os Evangelhos não oferecem longos discursos de Mateus nem descrevem extensamente seus pensamentos. Seu testemunho é marcado mais pela permanência junto de Cristo do que pela quantidade de palavras atribuídas a ele. Essa característica permite contemplar sua vocação de maneira particular. Há existências cuja fecundidade não se manifesta por grandes declarações, mas pela permanência junto daquele que foi reconhecido como verdade e origem.

  A tradição cristã relacionou profundamente Mateus ao Evangelho que leva seu nome. A atribuição apostólica desse Evangelho pertence à tradição antiga da Igreja, embora a história de sua composição e a relação entre o apóstolo e a forma literária final do texto sejam objeto de discussão entre estudiosos. A tradição católica manteve a atribuição do Evangelho ao Apóstolo Mateus, enquanto a pesquisa histórica e literária moderna examina com diferentes perspectivas a composição do texto.

  O Evangelho segundo Mateus possui uma característica particularmente significativa para compreender a tradição espiritual ligada ao Apóstolo. Ele apresenta Jesus como aquele que leva à plenitude aquilo que havia sido anunciado anteriormente, conduzindo a história da promessa para seu cumprimento. A palavra recebida encontra continuidade, e aquilo que estava anunciado alcança uma forma nova na presença de Cristo. Nesse horizonte, Mateus aparece como testemunha de uma passagem interior pela qual a existência humana é chamada a reconhecer que sua origem não está encerrada em si mesma.

  Seu passado como cobrador de impostos também confere ao Evangelho uma dimensão contemplativa peculiar. O homem acostumado a registrar valores e transações passa a testemunhar uma realidade que não pode ser reduzida àquilo que pode ser contado ou possuído. A presença de Cristo introduz uma medida diferente no interior da existência. O que antes podia ser compreendido segundo o cálculo passa a ser contemplado segundo o dom. A graça não é uma quantia acumulada, mas uma realidade recebida que transforma aquele que a acolhe.

  Essa transformação não acontece pela negação da história pessoal. Mateus não deixa de ser aquele homem que existiu antes de encontrar Jesus. O passado permanece como parte de sua trajetória, mas deixa de constituir o horizonte definitivo de sua existência. O chamado não apaga a história. Ele lhe confere uma direção nova. O homem que se levantou da coletoria não se tornou outra pessoa por abandonar sua memória, mas por permitir que uma presença mais profunda desse sentido ao caminho que estava diante dele.

  É justamente nesse ponto que sua vida se torna contemplativa. O instante do chamado não é apenas um momento cronológico situado no passado. Ele permanece como uma realidade interior que ilumina todo o caminho posterior. Mateus recebeu uma palavra e respondeu. A resposta tornou-se princípio de uma existência inteira. Aquilo que aconteceu naquele momento continuou produzindo sua forma interior através dos anos, porque uma verdadeira vocação não termina no momento em que é pronunciada. Ela permanece como uma presença que acompanha, amadurece e orienta.

  A tradição antiga atribuiu a Mateus atividade missionária entre os hebreus e posteriormente associou sua pregação a outras regiões. Entretanto, os testemunhos sobre os últimos anos de sua vida são divergentes e não permitem reconstruir com segurança uma biografia detalhada. Também existem tradições diferentes acerca do lugar de sua morte e do modo de seu martírio. Por isso, não é historicamente seguro afirmar uma forma específica de morte como fato incontestável.

  Essa incerteza histórica possui, paradoxalmente, uma dimensão contemplativa. Sabemos muito pouco sobre os últimos passos de Mateus, mas sabemos aquilo que constitui o centro de seu testemunho. Ele foi chamado, respondeu, acompanhou Cristo e pertenceu ao grupo dos Apóstolos. Sua vida conhecida começa a adquirir sua forma decisiva quando se abre à presença de Jesus. O restante permanece parcialmente oculto.

  Na tradição litúrgica da Igreja Latina, São Mateus é celebrado em 21 de setembro. Sua memória permanece ligada ao Evangelho, à vocação apostólica e ao testemunho daquele que passou da coletoria ao seguimento de Cristo.

  Contemplar Mateus é contemplar uma existência que encontrou sua verdade não no prolongamento indefinido do que já era, mas na resposta a uma presença. Seu caminho recorda que o instante pode conter uma profundidade que ultrapassa sua duração exterior. Uma palavra pode atravessar uma vida inteira quando é acolhida no centro da pessoa. O chamado recebido por Mateus tornou-se uma permanência, e essa permanência transformou seu modo de compreender a própria existência.

  A trajetória do Apóstolo também permite perceber que a plenitude não precisa ser compreendida como algo distante, reservado somente ao término da vida. Ela começa quando a pessoa reconhece a origem da qual recebe sua existência e consente em orientar-se por aquilo que recebeu. Em Mateus, esse movimento aparece de maneira concreta. Ele estava sentado, foi chamado, levantou-se e seguiu. Entre esses poucos movimentos encontra-se uma transformação que alcança toda a pessoa.

  Por isso, a memória de São Mateus permanece viva na Igreja. Não apenas porque seu nome está entre os Doze, nem somente porque a tradição o associa a um dos quatro Evangelhos, mas porque sua vocação manifesta uma verdade essencial da experiência cristã. A presença de Cristo encontra a pessoa onde ela está, pronuncia uma palavra que a alcança no íntimo e inaugura um caminho no qual passado, presente e destino podem ser reunidos sob uma mesma direção.

  Mateus permanece, assim, como testemunha daquele momento em que a existência deixa de estar voltada somente para aquilo que possui diante de si e começa a reconhecer aquilo que a chama desde sua profundidade. Seu testemunho não está apenas no que fez depois de seguir Jesus, mas no próprio gesto de ter-se levantado. Ali começa uma nova compreensão do ser. O instante recebido torna-se caminho. O caminho torna-se permanência. E a permanência, amadurecida na presença de Cristo, abre-se à plenitude.

Orando com Apóstolo São Mateus

Chamado à presença

Senhor, acolhe meu coração
Purifica meu interior
Conduze meus passos à presença

Amém

Reflexão sobre a oração

Quando o coração reconhece a presença

  A oração começa no interior, naquele espaço silencioso onde a pessoa pode reconhecer que sua existência não se encerra naquilo que aparece exteriormente. Pedir que o coração seja acolhido significa permitir que toda a pessoa se apresente diante da presença divina sem ocultar sua própria verdade.

  A purificação interior não consiste em rejeitar aquilo que a pessoa foi, mas em permitir que sua existência seja iluminada pela origem de onde procede. Quando a presença divina alcança o íntimo, aquilo que estava disperso começa a encontrar uma direção mais profunda.

  O pedido para ser conduzido expressa uma confiança essencial. O caminho não nasce apenas da iniciativa humana. Há uma presença que antecede, acompanha e sustenta. O instante em que essa presença é reconhecida deixa de ser apenas passagem e torna-se ocasião de encontro.

  A vida de São Mateus ilumina especialmente essa realidade. Ele estava sentado quando ouviu o chamado. Levantou-se e seguiu. A simplicidade desse movimento exterior revela uma transformação interior que não se encerra naquele momento. A palavra recebida permanece atuando no interior daquele que a acolhe.

  A eternidade não aparece como algo separado da existência concreta. Ela pode ser reconhecida na profundidade do instante quando a pessoa percebe que está diante de uma presença que não depende da sucessão dos momentos. O instante torna-se profundo porque nele pode ser reconhecida a origem.

  A oração conduz, então, da dispersão para a interioridade, da interioridade para a presença e da presença para a plenitude. Cada palavra se torna uma abertura para que a existência reconheça aquilo que a sustenta.

  Nesse movimento, o coração não procura simplesmente alcançar alguma coisa exterior. Ele aprende a permanecer diante daquele de quem recebe seu próprio ser. A contemplação nasce dessa permanência e encontra nela sua direção.

  Como Mateus, a pessoa pode descobrir que uma única palavra recebida no interior pode acompanhar toda uma existência. Quando essa palavra permanece viva, o instante inicial não desaparece. Ele continua iluminando o caminho e conduzindo a pessoa para uma realização mais profunda diante de Deus.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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