
São Roberto Belarmino - imagem da internet
A seguir está a biografia elaborada preservando o rigor histórico nos dados conhecidos e mantendo a unidade contemplativa entre a trajetória, a oração e a reflexão. (Vaticano)
Biografia de São Roberto Belarmino
Uma inteligência inteiramente voltada para a verdade pode tornar-se, pela graça, um caminho de contemplação e de santidade.
São Roberto Belarmino, cujo nome original era Roberto Francesco Romolo Bellarmino, nasceu em Montepulciano, na Itália, em 4 de outubro de 1542. Era filho de Vincenzo Bellarmino e Cinthia Cervini, esta pertencente à família do cardeal Marcello Cervini, que viria a ser o Papa Marcelo II. Esses são os dados familiares preservados pelas fontes históricas. Para além dessas informações, os registros não permitem reconstruir com segurança todos os aspectos de sua vida familiar e de sua infância, e não seria correto preencher essas lacunas com conjecturas.
Desde os primeiros anos, recebeu sólida formação humanística no colégio dos jesuítas de sua cidade. A educação que recebeu não permaneceu apenas no âmbito da aquisição de conhecimentos. Nela começou a formar-se uma inteligência capaz de buscar a verdade com disciplina, mas também uma interioridade que encontraria, no decorrer dos anos, sua expressão mais profunda na vida sacerdotal e religiosa.
Em 20 de setembro de 1560, entrou na Companhia de Jesus. No dia seguinte, foi admitido aos primeiros votos. Sua entrada na vida religiosa não significou o abandono da inteligência, mas sua consagração a uma busca mais elevada. O estudo, a oração e a disciplina espiritual passaram progressivamente a formar uma única realidade em sua existência.
Depois do ingresso na Companhia de Jesus, estudou filosofia no Colégio Romano e posteriormente ensinou humanidades em Florença e Mondovì. Em 1567 iniciou os estudos de teologia em Pádua e, dois anos depois, foi enviado a Lovaina, onde aprofundou sua formação teológica. Ali recebeu também a ordenação sacerdotal, em 25 de março de 1570. Seus estudos concentraram-se especialmente em São Tomás de Aquino e nos Padres da Igreja, elementos que permaneceriam fundamentais em sua orientação teológica.
Sua inteligência possuía uma característica que se tornaria decisiva em sua obra. Roberto não buscava apenas acumular conhecimentos, mas ordenar o conhecimento em direção à verdade. Para ele, pensar não podia permanecer fechado em si mesmo. O pensamento precisava conduzir ao fundamento, e o fundamento precisava abrir o espírito à contemplação.
Durante alguns anos, ensinou teologia em Lovaina. Sua capacidade intelectual e sua clareza de exposição fizeram com que adquirisse reconhecimento como professor e pregador. Sua atividade não se limitava à sala de aula. A palavra pronunciada diante dos outros nascia de uma inteligência que procurava compreender e de uma fé que procurava permanecer fiel ao que havia recebido.
Em 1576, foi chamado a Roma para ocupar a cátedra de Apologética no Colégio Romano. Durante aproximadamente uma década, desenvolveu as lições que posteriormente dariam origem às suas célebres Controversiae. A obra alcançou grande repercussão por sua amplitude, clareza e organização histórica. Seu objetivo era apresentar de maneira sistemática a doutrina católica diante das controvérsias religiosas de seu tempo.
Entretanto, reduzir Roberto Belarmino ao grande teólogo das controvérsias seria diminuir a profundidade de sua existência. Sua inteligência teológica não constituiu um fim em si mesma. O conhecimento da fé deveria conduzir o ser humano para uma realidade mais profunda, na qual a verdade recebida pudesse tornar-se vida interior.
Entre 1588 e 1594, exerceu a função de diretor espiritual dos estudantes jesuítas do Colégio Romano e depois tornou-se superior religioso. Nesse período, encontrou São Luís Gonzaga e exerceu sobre ele uma influência espiritual importante. A atividade de Belarmino revela, então, outra dimensão de sua vocação. Aquele que possuía grande capacidade intelectual também era chamado a acompanhar interiormente aqueles que procuravam ordenar sua existência diante de Deus.
O conhecimento, quando realmente penetra o espírito, não permanece exterior. Torna-se uma forma de atenção. A pessoa aprende a reconhecer o que permanece sob aquilo que passa, a distinguir o essencial do acessório e a voltar o coração para sua origem. Essa passagem do conhecimento à interioridade foi uma das dimensões mais fecundas da vida de Belarmino.
O Papa Clemente VIII chamou-o para importantes responsabilidades. Foi nomeado teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e responsável pelo Colégio dos Penitenciários da Basílica de São Pedro. Entre 1597 e 1598, escreveu sua Doutrina cristã breve, que se tornou sua obra mais popular.
Em 3 de março de 1599, Clemente VIII criou-o cardeal. Em 18 de março de 1602, foi nomeado arcebispo de Cápua e recebeu a ordenação episcopal em 21 de abril daquele mesmo ano. Durante os anos em que exerceu o ministério episcopal, dedicou-se intensamente à pregação, visitou semanalmente as paróquias de sua diocese e promoveu três sínodos diocesanos e um concílio provincial.
A dignidade recebida não o afastou da simplicidade do serviço. Quanto mais elevada se tornava sua posição na Igreja, mais claramente aparecia a necessidade de retornar ao centro interior da vocação. O episcopado, para ele, não era apenas uma responsabilidade exterior. Era uma forma concreta de permanecer diante de Deus e de servir à verdade recebida.
Depois de participar dos conclaves que elegeram Leão XI e Paulo V, foi novamente chamado a Roma. Ali exerceu funções em diversas congregações da Igreja e recebeu também encargos diplomáticos relacionados à defesa dos direitos da Sé Apostólica. Sua vida tornou-se, assim, marcada por uma sucessão de responsabilidades que poderiam facilmente absorver toda a existência exterior.
Mas existe uma dimensão da vida de Belarmino que permite compreender essas atividades a partir de uma unidade mais profunda. O movimento exterior de sua existência não anulou a interioridade. Ao contrário, seus últimos anos revelam de maneira particularmente clara o desejo de recolher diante de Deus aquilo que havia sido vivido, estudado e ensinado.
Nos últimos anos, escreveu diversas obras de espiritualidade nas quais reuniu o fruto de seus exercícios espirituais. O teólogo que havia passado grande parte da vida estudando, ensinando e defendendo a doutrina voltou-se cada vez mais para o interior, como quem procura reconhecer, no silêncio do espírito, aquilo que permanece quando as funções, os títulos e as tarefas já não constituem o centro da existência.
Essa passagem possui um significado particularmente profundo. O instante humano pode ser ocupado por inúmeras tarefas e, ainda assim, permanecer vazio de interioridade. Pode também tornar-se lugar de recolhimento quando o ser reconhece aquilo que não passa. Em Belarmino, o estudo, o ensino, o governo, a pregação e a oração encontram sua unidade quando são reconduzidos à presença de Deus.
Sua espiritualidade não separava conhecimento e contemplação. A verdade conhecida deveria conduzir ao encontro com aquele que é a própria fonte da verdade. O pensamento encontrava sua plenitude quando se tornava adoração, e a doutrina alcançava sua finalidade mais elevada quando penetrava o coração.
Por isso, a figura de Roberto Belarmino pode ser contemplada não apenas como a de um grande teólogo, mas como a de um homem que procurou fazer de toda a existência uma resposta à presença divina. Seu percurso mostra uma inteligência que se aprofundava à medida que se aproximava da contemplação e uma contemplação que não abandonava a exigência da verdade.
Morreu em Roma em 17 de setembro de 1621. Foi beatificado por Pio XI em 1923, canonizado pelo mesmo Papa em 1930 e proclamado Doutor da Igreja em 1931. A Igreja reconheceu, assim, não apenas a importância de sua produção teológica, mas a unidade entre sua doutrina, sua vida sacerdotal, seu serviço e sua busca de santidade.
No fim de sua caminhada, permanece uma imagem essencial. A existência passa por muitos estados, responsabilidades e momentos, mas não encontra sua verdade última na sucessão dessas formas. Há uma profundidade na qual o ser retorna à sua origem e descobre que aquilo que procura não está separado de sua interioridade.
Belarmino viveu entre o movimento das coisas e a permanência de Deus. Seu pensamento procurou ordenar o conhecimento, seu ministério procurou servir à Igreja e sua espiritualidade procurou conduzir a alma ao recolhimento. Em tudo isso aparece uma mesma direção interior, a passagem da multiplicidade para a unidade, da dispersão para a presença e do conhecimento para a contemplação.
Sua vida pode ser contemplada, portanto, como uma longa aproximação daquilo que permanece. O instante não aparece como simples fragmento perdido na sucessão do tempo, mas como ocasião de encontro com a presença divina. A eternidade não é apresentada como algo distante, reservado apenas ao fim, mas como realidade que ilumina interiormente a existência quando o ser permanece unido à sua origem.
A santidade de Roberto Belarmino encontra nessa unidade uma de suas expressões mais profundas. O homem de estudo tornou-se homem de oração. O mestre tornou-se servidor. O cardeal permaneceu discípulo. E aquele que durante tantos anos falou sobre a verdade terminou sua caminhada procurando permanecer diante dela.
Orando com São Roberto Belarmino
Na presença que sustenta o ser
Senhor, recolhe meu coração inteiro.
Faz do instante morada interior.
Conduze meu ser à presença.
Guarda minha alma em plenitude.
Amém
Reflexão sobre a oração
O instante como morada interior
A oração começa quando o coração deixa de dispersar-se e recolhe em seu interior aquilo que realmente permanece.
Pedir que o coração seja recolhido significa permitir que a existência retorne à sua origem e reconheça a presença que a sustenta.
O instante, então, já não aparece apenas como passagem. Ele se torna interiormente habitável, porque nele o ser pode voltar-se para aquilo que não passa.
Quando pedimos que o instante se torne morada, pedimos também que nossa presença seja unificada. O que estava disperso encontra um centro.
Esse centro não é criado pelo próprio coração. Ele é recebido. A alma encontra sua profundidade quando percebe que sua existência está continuamente diante de Deus.
A plenitude não consiste em possuir mais, mas em permanecer interiormente unido àquilo que constitui a origem e o fundamento do ser.
Assim, cada momento pode tornar-se uma aproximação silenciosa da eternidade. O tempo continua seu curso, mas o coração encontra nele uma presença que permanece.
A oração termina com uma palavra simples, mas inteira. Amém exprime a entrega do ser àquilo que reconheceu como origem, presença e plenitude.
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