quinta-feira, 17 de setembro de 2026

São José de Copertino - santo do dia - 18.09.2026

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026
24ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)




São José de Copertino - imagem da internet


Biografia de São José de Copertino

Uma vida em que o instante se tornou abertura para a eternidade.

  São José de Copertino nasceu em 17 de junho de 1603, em Copertino, então pertencente ao Reino de Nápoles, na região que hoje corresponde à Apúlia, no sul da Itália. Seu nome de nascimento foi Giuseppe Desa. Morreu em Ósimo, em 18 de setembro de 1663, aos 60 anos. A Igreja o recorda como sacerdote da Ordem dos Frades Menores Conventuais e como um dos santos cuja existência foi marcada por uma intensa experiência contemplativa.

  Seu pai chamava-se Felice Desa e sua mãe, Francesca Panara. As fontes biográficas tradicionais apresentam Felice como artesão e registram que ele morreu antes do nascimento de José. A família atravessou dificuldades econômicas, e a tradição afirma que Francesca, privada da própria casa por causa das dívidas deixadas pelo marido, deu à luz José em um estábulo. O episódio pertence à memória hagiográfica tradicional e deve ser compreendido com essa cautela, pois os detalhes circunstanciais da família não possuem todos o mesmo grau de documentação histórica.

  Desde os primeiros anos, José manifestou uma disposição interior que parecia ultrapassar o ritmo ordinário de sua idade. As antigas biografias relatam experiências de êxtase desde a infância. Mais tarde, esses estados contemplativos se tornariam uma característica marcante de sua vida espiritual. A tradição também recorda que, quando criança, permanecia tão absorvido em sua interioridade que recebeu dos companheiros um apelido relacionado ao seu olhar absorto e à boca aberta.

  Sua formação intelectual não seguiu o caminho habitual. José encontrou dificuldades nos estudos e, durante a juventude, não apresentava as capacidades acadêmicas que normalmente se esperavam daqueles destinados ao sacerdócio. Antes de ingressar definitivamente na vida religiosa, aprendeu o ofício de sapateiro. Aos 17 anos, procurou entrar entre os Frades Menores Conventuais, mas foi inicialmente recusado. Em seguida, foi recebido pelos Capuchinhos como irmão leigo, em 1620. As dificuldades para desempenhar os trabalhos comunitários e a frequência de seus estados extáticos contribuíram para sua saída daquele ambiente.

  A rejeição não encerrou sua busca. José voltou-se novamente para os Frades Menores Conventuais e conseguiu ser acolhido para servir humildemente no convento de Santa Maria della Grottella, próximo de Copertino. Ali começou uma etapa decisiva de sua existência. O homem que não encontrara reconhecimento nas medidas ordinárias do conhecimento encontrou, no silêncio do serviço, o espaço onde sua vida interior poderia amadurecer.

  Sua trajetória religiosa não nasceu de uma afirmação de si, mas de uma progressiva entrega. No trabalho simples, na obediência e na oração, José foi sendo formado para uma vocação que não se explicava apenas pelas capacidades humanas. A tradição de seus biógrafos insiste especialmente em sua humildade, obediência, penitência e devoção. Foi admitido ao estado clerical e, depois de sua formação, recebeu a ordenação sacerdotal em 1628.

  O sacerdócio encontrou nele um centro para sua vida contemplativa. A celebração da Eucaristia, a oração diante do sacrário e a meditação dos mistérios de Cristo ocupavam lugar fundamental em sua existência. Em testemunhos preservados pela tradição franciscana, José aparece profundamente atraído pela Encarnação, pela Paixão de Cristo e pela presença sacramental do Senhor. Sua oração não era apenas uma atividade entre outras, mas o eixo interior em torno do qual se organizavam seus dias.

  É nesse ponto que sua vida adquire uma densidade singular. O instante, para José, não parece ter sido uma simples passagem entre aquilo que já aconteceu e aquilo que ainda aconteceria. O instante podia tornar-se interiormente tão profundo que o tempo ordinário parecia perder sua predominância. A contemplação fazia o presente abrir-se para uma realidade que não se reduz à sucessão das horas.

  As experiências extáticas atribuídas a José foram numerosas. A tradição registra êxtases diante da Eucaristia, da Cruz, de imagens sagradas, da menção do nome de Deus e de outros acontecimentos relacionados aos mistérios da fé. Também foram preservados relatos de levitações, que lhe deram a conhecida designação popular de santo dos voos. A Igreja, ao transmitir essa memória, conservou esses acontecimentos no âmbito da tradição hagiográfica, enquanto o núcleo historicamente seguro de sua vida permanece ligado à sua vocação sacerdotal, à oração, à penitência, à obediência e à intensa experiência contemplativa.

  Essas manifestações extraordinárias, entretanto, não constituíam o centro de sua santidade. O centro estava na relação interior com Deus. O extraordinário exterior podia chamar a atenção, mas aquilo que dava unidade à existência de José era uma interioridade profundamente orientada para Cristo. Sua vida não encontrou sua plenitude no fenômeno, mas na presença que o fenômeno, segundo a tradição, expressava.

  A intensidade de suas experiências espirituais também provocou incompreensão. Em determinados períodos, José foi afastado da participação ordinária na vida comunitária para evitar perturbações causadas por seus êxtases públicos. Passou por diferentes casas religiosas e chegou a ser submetido ao exame do Santo Ofício. A investigação não resultou em condenação, e sua vida continuou marcada pela submissão às autoridades religiosas e pela disposição de acolher, com humildade, aquilo que lhe era pedido.

  Esse aspecto é particularmente importante para compreender sua espiritualidade. José não procurava construir uma existência extraordinária. Ao contrário, sua resposta às circunstâncias era marcada pela obediência. Quando sua experiência interior não podia ser compreendida pelos outros, ele permanecia no caminho da humildade. Quando era afastado de determinadas atividades, aceitava. Quando precisava permanecer recolhido, permanecia. Quando era conduzido de um lugar para outro, submetia-se.

  Há nessa atitude uma profunda compreensão do instante. Cada momento recebido não precisava ser transformado em outra coisa para possuir valor diante de Deus. O instante podia ser acolhido como realidade suficiente para a fidelidade. Assim, a vida de José não se dividia entre momentos importantes e momentos sem importância. Cada momento podia tornar-se lugar de presença.

  Sua interioridade também foi marcada pela penitência. As biografias tradicionais descrevem jejuns rigorosos e práticas de mortificação. Essas práticas devem ser compreendidas dentro da espiritualidade cristã de seu tempo, na qual a disciplina corporal estava associada à conversão interior e à configuração da existência a Cristo. Em José, porém, a penitência não aparece separada da oração. O corpo e o espírito eram envolvidos em uma única orientação para Deus.

  Sua relação com o conhecimento também possui uma característica singular. Embora tivesse limitações acadêmicas reconhecidas por seus primeiros formadores, seus biógrafos relatam que, quando interrogado sobre questões teológicas, era capaz de responder com surpreendente clareza. A tradição interpretou esse fenômeno como expressão de uma iluminação interior. Historicamente, é prudente distinguir esse testemunho hagiográfico daquilo que pode ser estabelecido documentalmente sobre sua formação intelectual. O que permanece evidente é que sua autoridade espiritual não nasceu de uma carreira acadêmica, mas de uma vida profundamente orientada para a oração e para o mistério cristão.

  José foi, antes de tudo, um homem da presença. Sua vida espiritual não se desenvolveu pela acumulação de conceitos, mas pela permanência diante de Deus. O conhecimento que nele se tornou fecundo não era apenas conhecimento discursivo. Era uma forma de interiorização pela qual aquilo que contemplava penetrava cada vez mais profundamente em seu ser.

  A contemplação dos mistérios de Cristo ocupava o centro dessa existência. A Encarnação mostrava-lhe a proximidade do eterno. A Paixão revelava-lhe a profundidade do amor. A Eucaristia tornava presente, no interior do tempo, aquilo que transcende o tempo. A oração fazia com que o instante deixasse de ser apenas uma unidade cronológica e se tornasse ocasião de encontro.

  Por isso, a santidade de José de Copertino não pode ser reduzida aos relatos de levitação que cercaram sua memória. Esses acontecimentos pertencem à dimensão mais extraordinária de sua tradição, mas não explicam a profundidade de sua vida. O essencial está em sua capacidade de permanecer voltado para Deus, mesmo quando as circunstâncias exteriores não correspondiam ao que esperava.

  Em 1656, José foi enviado para Ósimo, nas Marcas, onde permaneceu até sua morte. Ali viveu seus últimos anos em recolhimento e oração. Morreu em 18 de setembro de 1663. Seu corpo repousa em Ósimo, onde sua memória permaneceu ligada à vida religiosa e à devoção dos fiéis.

  Depois de sua morte, sua fama de santidade cresceu. Foi beatificado pelo Papa Bento XIV em 1753 e canonizado pelo Papa Clemente XIII em 16 de julho de 1767. Sua memória litúrgica é celebrada em 18 de setembro.

  A Igreja reconheceu nele uma existência inteiramente orientada para Deus. O homem que tantas vezes parecia ultrapassar, em êxtase, os limites ordinários da experiência humana tornou-se também testemunha de algo mais simples e mais profundo. A santidade não consiste apenas em momentos extraordinários. Ela se manifesta na permanência interior, na oração, na obediência, na humildade e na capacidade de receber cada instante como ocasião de encontro com Deus.

  A vida de São José de Copertino pode ser contemplada, assim, como uma existência em que o tempo não foi simplesmente consumido, mas interiorizado. O passado não era apenas aquilo que já havia desaparecido, nem o futuro apenas aquilo que ainda não chegara. O presente podia conter uma profundidade maior do que sua duração exterior sugeria. Na oração, o instante tornava-se abertura. Na contemplação, tornava-se presença. Na presença, a alma podia perceber que sua origem e seu fim não se encontravam no movimento passageiro das coisas, mas em Deus.

  Seu testemunho permanece particularmente eloquente porque nele a pequenez humana não foi transformada em obstáculo para a ação divina. As limitações intelectuais, as incompreensões, os fracassos iniciais e as dificuldades de sua trajetória não determinaram o sentido último de sua existência. Sua vida encontrou unidade quando se voltou para aquilo que permanecia.

  José de Copertino morreu, mas sua contemplação não pertence apenas ao passado. Sua memória continua apontando para uma realidade que ultrapassa o instante sem abandoná-lo. O eterno não aparece como uma fuga do presente, mas como sua profundidade. E a plenitude não surge como algo estranho à existência, mas como aquilo para o qual cada instante pode silenciosamente se abrir.

Orando com São José de Copertino

Na presença que permanece

Senhor, recolhe meu coração
Aquieta meus pensamentos
Conduze-me à tua presença
Amém

Reflexão sobre a oração

Quando o instante repousa na presença

  A oração começa quando o coração deixa de dispersar-se e retorna silenciosamente à sua origem.
  Recolher-se não significa afastar-se do instante, mas penetrar sua profundidade até perceber a presença que o sustenta.
  Quando os pensamentos se aquietam, o interior torna-se mais transparente àquilo que permanece além da sucessão das horas.
  A presença divina não necessita de distância para ser encontrada, pois já toca o íntimo onde o ser recebe sua existência.
  O instante, acolhido interiormente, deixa de ser apenas passagem e torna-se abertura para uma realidade que não passa.
  Ali, a alma percebe que sua origem e sua plenitude permanecem unidas na presença daquele que a sustenta.
  A oração conduz então para além da agitação exterior, até o silêncio no qual o ser reconhece sua dependência do eterno.
  E aquilo que parecia apenas um momento revela sua profundidade quando repousa inteiramente diante de Deus.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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